O SoftBank quer ajudar a qualificar os desenvolvedores da América Latina numa área crítica para o futuro das startups: a inteligência artificial.

O fundo — que assumiu protagonismo no ecossistema de venture capital do Brasil ao lançar seu Latin America Fund no ano passado — está lançando um programa para treinar fundadores e funcionários em AI e ciência de dados chamado Data Science for All (“DS4A”).

O curso começa em 6 de março, terá 300 vagas e vai ser ministrado em inglês todas as sextas e sábados ao longo de 11 semanas.   Vai estar disponível a funcionários das investidas do SoftBank e a candidatos com background em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.  

O SoftBank está subsidiando o custo de montagem do curso, que ainda assim vai custar US$ 5 mil por aluno — mas as investidas do fundo vão bancar os funcionários que forem aceitos. Quem não trabalha terá a opção de pagar somente quando conseguir um emprego na área. O SoftBank também vai oferecer bolsas aos primeiros lugares no processo de qualificação.

O programa foi desenhado pela Correlation One, uma empresa de treinamento em ciência de dados, e vai ser liderado por um professor titular de Harvard e assistentes do MIT e Stanford. O programa também é apoiado por parceiros como a Microsoft, iNNpulsa Colombia e Laboratório do BID.

A plataforma vai promover uma maior adoção da IA na região e o conteúdo será aplicável ao dia-a-dia das empresas, com estudos de caso e projetos do mundo real com um impacto mensurável no desempenho operacional das empresas participantes.

Além de ajudar o ecossistema, o Softbank está resolvendo um problema prático.

“Temos um problema sério aqui: nossas investidas disputam os melhores funcionários com o mercado e muitas vezes entre si,” diz André Maciel, um dos managing partners do SoftBank. “Há muito poucos profissionais disponíveis com background nessa área.”

Dada essa escassez, apenas uma fração das startups de tecnologia fazem um uso avançado da inteligência artificial.  “As empresas geram muito mais dados do que somos capazes de utilizar hoje,” diz Maciel. 

A Correlation One estima que o Brasil poderia aumentar seu PIB em US$ 430 bilhões até 2035 se o uso da inteligência artificial fosse mais difundido no País, já que a tecnologia tem um impacto direto na produtividade.
 
O programa será baseado em Sāo Paulo, com salas de aula remotas em Bogotá, Buenos Aires e na Cidade do México. Um programa semelhante já treinou 300 pessoas na Colômbia.

Laura Gaviria Halaby, responsável pelas parcerias do Softbank na América Latina, disse que o curso deve ser a primeira de diversas iniciativas do SoftBank envolvendo educação e desenhadas para fomentar o uso de inteligência artificial no ecossistema.

Desde que anunciou seu Latin America Fund em março de 2019, o Softbank já fez aportes em 16 empresas e quatro fundos.  O fundo espera investir US$ 5 bilhões na região ao longo de cinco anos.

Os candidatos ao curso podem se inscrever aqui.