A Serena Energia levantou US$ 350 milhões em empréstimos estruturados pelo Itaú para construir seu segundo parque eólico nos Estados Unidos.
A empresa brasileira controlada pelo GIC e a Actis acaba de fechar contratos para fornecer eletricidade ao Google, aproveitando a demanda gerada pela inteligência artificial nos EUA num momento em que geradores renováveis no Brasil sofrem pesadas perdas de faturamento devido a cortes na produção de usinas, causados por limitações na rede de transmissão e na demanda.
A Serena saiu da Bolsa depois de uma oferta de mais de R$ 5 bilhões para fechamento de capital liderada pelo GIC e a Actis, que já era acionista. A transação ocorreu em meio a um momento de crise inédita no setor de energia limpa doméstico.
Após anos de acelerada expansão no Brasil, empresários de geração eólica e solar têm pisado no freio diante do “curtailment” – o corte de produção para evitar sobrecarga na rede.
Os cortes geralmente são causados pelo excesso de energia durante o dia, depois que milhões de brasileiros colocaram painéis solares em seus telhados nos últimos anos, apoiadas por generosos subsídios.
Sem solução simples à vista, essa conjuntura tem pesado sobre praticamente todo o segmento, drenando receita de empresas como Auren, Engie e CPFL.
A OPA da Serena foi a R$ 11,74 por ação, quase 120% acima da mínima de 12 meses do papel, que disparou cerca de 130% ao longo de 2025 em meio aos rumores sobre o fechamento de capital.
Ainda assim, um gestor que era comprado em Serena até a OPA avalia que GIC e Actis “pagaram barato” pelo ativo, diante do mau humor dos investidores locais com as geradoras renováveis em meio ao cenário complexo do setor.
“Vejo muito potencial à frente na Serena, aqui no Brasil e nos EUA. A demanda de AI está puxando o consumo de energia nos EUA… e outro ponto é que a Serena está sofrendo bem menos que outros players no Brasil com o curtailment. Não é à toa que a Actis, um grande investidor em renováveis, viu que ela estava bem descontada em relação a M&As privados no Brasil, EUA, Europa e Asia,” disse este gestor.
Para ele, os controladores ainda podem explorar alternativas como uma listagem nos EUA, que já chegou a ser cogitada publicamente pela Serena.
A Serena iniciou seus investimentos nos EUA em 2022, quando ainda se chamava Omega Energia e a tese da IA não aparecia no horizonte – mas empresas americanas de tecnologia já buscavam se abastecer prioritariamente com energia limpa.
Seu projeto Goodnight, em Armstrong County, no Texas, teve um primeiro cluster de 265,5 megawatts concluído em dezembro de 2023, e agora levantou recursos com o Itaú para uma segunda fase, que deve levar o parque a 531 MW totais até 2027.
Com os investimentos bilionários em IA, que exige enormes data centers, a demanda por eletricidade dos EUA voltou a crescer cerca de 3% ao ano, o que não ocorria há décadas.
O Texas, onde a Serena tem seus parques, é uma das regiões que mais tem atraído projetos, incluindo empreendimentos da Meta e OpenAI.











