A Samsara, uma das maiores empresas de ‘internet das coisas’, chegou hoje à Bolsa de Nova York valendo US$ 11,5 bilhões. 

O IPO saiu a US$ 23, o topo da faixa indicativa de preço que começava em US$ 20, e o papel – que negocia sob o ticker “IOT” – fechou em alta de mais de 7%, a US$ 24,70.

Fundada em 2015, a Samsara fornece sensores e câmeras que geram dados, permitindo ao cliente monitorar diversos parâmetros operacionais de veículos de entrega, frotas de caminhões ou de um CD. Além de fazer o acompanhamento em tempo real das operações, o software também analisa os dados coletados. 

Com isso, as companhias podem identificar eventuais distrações de motoristas e monitorar o tempo em que os caminhões estão em marcha lenta para reduzir os custos de combustível e as emissões. Também conseguem fazer a medição constante da temperatura dos caminhões para garantir que os alimentos transportados  permaneçam refrigerados e monitorar equipamentos como geradores para melhorar a eficiência operacional.

Os criadores da Samsara são velhos conhecidos do mercado:  John Bicket e Sanjit Biswas estudaram no MIT e juntos criaram a Meraki, uma companhia de gerenciamento de serviços por computação na nuvem que foi vendida para a Cisco em 2012. 

Numa carta aos investidores no prospecto do IPO, os fundadores dizem que apesar de dispositivos conectados já fazerem parte da vida pessoal dos cidadãos, qualquer um ficaria surpreso se soubesse “a quantidade de papel e caneta” que ainda é utilizada nas indústrias que mantêm o planeta funcionando.

“As possibilidades são praticamente infinitas: estimamos que os setores que atendemos respondem por mais de um terço da economia global, e é fácil imaginar um futuro quando cada ativo terá um chip e estará conectado à nuvem,” escreveram os fundadores. 

No início, a Samsara dizia que ia equipar o mundo todo com sensores geradores de dados, câmeras e outros meios de rastreamento e análise de “coisas físicas”, mas logo percebeu que seria uma tarefa grande demais para uma startup, e acabou focando no gerenciamento de frotas. 

A Samsara tem mais de 13 mil clientes comerciais e governamentais, e vende seu serviço por assinatura. 

A empresa estima que o mercado de IoT nos nichos em que ela opera crescerá de US$ 55 bilhões hoje para US$ 97 bilhões no fim de 2024. 

Em 2021 até outubro, a Samsara teve receita de US$ 306 milhões e prejuízo de US$ 210 milhões. No mesmo intervalo de 2020, a receita foi de US$ 174 milhões e o prejuízo, de US$ 225 milhões. 

Depois do IPO, os fundadores vão manter, cada um, cerca de 25% da Samsara. Outros acionistas relevantes incluem Tiger Global,  Dragoneer, Andreessen Horowitz, Dragoneer, General Catalyst, General Atlantic e Warburg Pincus.

Os coordenadores da oferta foram Morgan Stanley, Goldman Sachs, JP Morgan e Allen&Co.