A Sabesp está estudando a privatização da Copasa, mas uma eventual participação no processo ainda dependerá de uma análise detalhada do risco e retorno envolvidos, disse o CEO da companhia, Carlos Augusto Piani.

Em paralelo, a empresa também aguarda licitações do programa Universaliza São Paulo, previstas para o segundo semestre e vistas como oportunidades mais óbvias.

“São Paulo está muito próximo de nós. Minas Gerais está um pouquinho mais longe. Mas também vamos olhar se vier a mercado,” Piani disse ao participar de um evento do Bradesco BBI nesta terça-feira.

“Acho que o timing está muito corrido,” acrescentou ele, falando sobre os preparativos para o leilão.

Carlos Piani

Piani também notou que o modelo de regulação do saneamento em Minas “não é tão robusto quanto o modelo de São Paulo,” com algumas definições ainda pendentes, o que faz com que o negócio tenha “um pouco mais de risco.”

Ao falar sobre o apetite pela Copasa, ele pontuou também que a Equatorial Energia, que se tornou a acionista de referência da Sabesp, “ficou uns seis a oito anos sem investir em nada” porque não encontrava ativos com retorno ajustado ao risco.

“De qualquer forma, estamos olhando. Em M&A, você tem que estar sempre presente.”

Piani, que foi chairman da Equatorial antes de assumir a Sabesp, disse ainda que uma eventual entrada na disputa pela Copasa dependerá de a Sabesp estar em dia com suas obrigações em São Paulo.

Nesse aspecto, porém, ele pontuou que a empresa está confiante em atingir as metas de universalização.

Ele também revelou que a Sabesp está discutindo um ajuste, para cima, nos investimentos previstos para a universalização dos serviços de saneamento em suas áreas.

O capex atual projetado para até 2029 é de R$ 70 bilhões; o novo número ainda não está fechado.

“Hoje temos mais de mil obras em andamento, quase 40 mil pessoas trabalhando nas nossas obras de universalização,” disse Piani.

Segundo ele, o ajuste no capex não será “nada absurdo” e decorre de uma inflação maior que o esperado, em meio a um mercado aquecido de projetos de infraestrutura em São Paulo e à antecipação de alguns investimentos em função da escassez hídrica deste ano.

“Vamos investir um pouco mais. Estamos discutindo exatamente esse montante, mas não houve nada de mais.”