Os maiores acionistas da Vibra Energia estão propondo uma nova composição para o conselho de administração – adicionando seis novos nomes e mantendo três – na primeira reformulação da governança da antiga BR Distribuidora sem a presença da Petrobras.  

Dynamo, Verde e Bogari arquitetaram a lista, que deve se tornar a chapa única na próxima assembleia da empresa, cujo capital é pulverizado na Bolsa. 

Juntas, as três gestoras detêm mais de 10% das ações da Vibra. Por meio de um acordo de acionistas, a Dynamo também tem poder de voto sobre os 10% do capital que pertencem ao ex-banqueiro Ronaldo Cezar Coelho, o maior acionista individual da companhia. 

As gestoras estão indicando Sergio Rial, o ex-CEO e agora chairman do Santander Brasil, que deverá presidir o novo conselho; Fabio Schvartsman, o ex-CEO da Vale e da Klabin; Walter Schalka, o CEO da Suzano e ex-presidente da Votorantim Cimentos; e Nildemar Secches, o ex-CEO da Perdigão.

A chapa também inclui duas profissionais intimamente associadas à temática de meio ambiente e sustentabilidade. 

Ana Toni é diretora do Instituto Clima e Sociedade e ex-conselheira do Greenpeace International e ex-diretora da Fundação Ford no Brasil. 

Clarissa Lins, a outra indicada, é fundadora da Catavento, uma consultoria de estratégia e sustentabilidade, e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). 

Os acionistas estão propondo manter três dos conselheiros atuais: Carlos Piani, Mateus Bandeira e Pedro Ripper, o CEO da Bemobi.

A composição da lista sugere que os acionistas estão buscando um conselho com experiência profunda em gestão, capaz de apoiar o CEO Wilson Ferreira Júnior num momento em que a Vibra enfrenta o desafio duplo da transição cultural – de estatal para empresa privada eficiente – e energética, num mundo em que os combustíveis fósseis (a própria raison d’être da empresa) estão sob ataque.

Já o conselho atual da Vibra merece uma medalha: foi ele que enfrentou a constante ameaça de interferência de Brasília – quando a Petrobras ainda tinha 37,5% do capital – obteve os primeiros ganhos de produtividade e conseguiu recrutar Wilson Ferreira, um movimento visto como um gol de placa pelo mercado.

Se o conselho acolher a proposta, a chapa será recomendada à assembleia geral ordinária marcada para 28 de abril.

FOI ASSIM:

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