Assim como na Bolsa, investir em crédito privado quando “há sangue nas ruas” é a estratégia mais rentável, segundo a JGP.

Analisando o retorno das debêntures mais líquidas do mercado desde 2017– reunidas em seu índice proprietário, o IDEX – a gestora calculou que o spread médio das emissões nesse período foi de 1,57% (acima do CDI). 

Quem investiu nos momentos de euforia, quando os spreads estavam no quartil mais baixo da amostra, abaixo de 1,04%, teve um rendimento levemente inferior ao CDI.

Já os investidores que aplicaram nos momentos de estresse – depois dos defaults de Americanas e Light, por exemplo – pegaram spreads mais altos, superiores a 1,82%. Com isso, o retorno médio foi de 4,37% acima do CDI.

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“Isso mostra que o ponto do ciclo importa,” Alexandre Muller, o CIO da JGP Crédito, disse ao Brazil Journal. “Por mais que haja riscos, é melhor entrar no mercado quando os spreads estão altos.”

É o caso agora, quando os spreads abriram – hoje eles estão, na média, em 1,9% – depois do default da Ambipar e das recuperações extrajudiciais de Raízen e Pão de Açúcar. 

Os investidores, porém, estão indo na direção oposta. Segundo a JGP, os fundos que investem mais de 50% da carteira em crédito tiveram resgates líquidos de R$ 42 bilhões entre fevereiro e 10 de abril.

O mesmo aconteceu em 2023: de janeiro a maio daquele ano, depois dos impactos de Americanas e Light, os saques somaram R$ 51 bilhões. 

Mesmo contabilizando os prejuízos dos investidores com REs, RJs e defaults, a rentabilidade média das debêntures analisadas pela JGP desde 2017 foi de CDI + 1,04%. 

“Não deixou ninguém rico, mas a classe é essa e deve ser vista como mais um tipo de investimento numa composição de portfólio,” disse Muller. “É como uma boa dieta, precisa ser equilibrada.”

Neste ano, porém, o retorno médio das debêntures está horrível: 2,60% abaixo do CDI. Segundo Muller, os problemas de crédito respondem por apenas 0,4 ponto percentual desse retorno negativo. O grosso se deve à marcação a mercado em razão dos saques nos fundos, que levaram à abertura dos spreads.

Mas já foi bem pior: em 2023, os eventos de Americanas e Light drenaram 3,7 pontos da rentabilidade média total do segmento. Naquele ano, as debêntures acompanhadas pelo IDEX tiveram um retorno médio de 10,2% contra um CDI de 13% no ano.