A República do Paraguai acaba de captar 600 milhões de dólares no mercado de dívida internacional.

Para lhe emprestar dinheiro por 10 anos, os investidores aceitaram receber do Paraguai uma remuneração de 5% ao ano — 0,85 ponto percentual a menos do que rendia naquele momento o título da República Federativa do Brasil com vencimento equivalente.

O Paraguai também pagou menos do que os 6,125% que o Brasil teve que pagar há duas semanas para levantar 1,5 bilhão de dólares no mercado de dívida.

É verdade que o Paraguai não é um emissor frequente de títulos no mercado internacional — há apenas três títulos paraguaios em circulação — e por isso conta com o que o mercado chama de ‘valor de escassez’. (Como os investidores querem ter aquele título para diversificar suas carteiras, eles acabam cobrando um pouco a menos.)

Ainda assim, é significativo que o Brasil — que costuma ter uma alta opinião sobre si próprio quando comparado ao vizinho — esteja pagando mais caro que um país bem menos rico e industrializado.  Este vexame é resultado da gestão econômica desastrosa dos últimos anos, que levou ao crescimento exponencial da dívida pública e fez aumentar o risco de que o País um dia não honre seus compromissos.

O FMI projeta que, entre 2016 e 2020, o Paraguai vai crescer 4% ao ano. Já o Brasil, depois de ver sua economia contrair 4% ano passado, sofrerá mais quedas do PIB este ano e no próximo, e depois passará a crescer entre 2% e 2,4% ao ano, segundo o FMI.

Em 2015, enquanto o déficit público nominal do Paraguai foi menos de 2% do PIB, o do Brasil foi mais de 10%. A expectativa é que o déficit público nominal do Paraguai fique por volta de 1% ao ano nos próximos anos. O do Brasil deve ficar acima de 5% ao ano.

A dívida líquida paraguaia foi de 16% do PIB no ano passado. A do Brasil foi mais do que o dobro: 38% do PIB pelo critério do FMI.  E enquanto a dívida bruta do Paraguai está em 22,5% do PIB, a do Brasil está em 69,9% (metodologia FMI).

Este azedamento fiscal brasileiro se reflete também no mercado de ‘credit default swaps’ (CDS), no qual os investidores compram seguro contra a inadimplência dos países.

Ontem, o custo para se proteger de um calote da dívida brasileira (em dólares) pelos próximos cinco anos estava em 3,87% sobre o valor a ser segurado — comparado a 2,92% para a Rússia; 1,65% para o México, e 1,01% para o Chile.

O seguro contra o calote brasileiro explodiu e chegou a custar 5% até meados de fevereiro, mas cedeu quando o mercado passou a tratar o impeachment como probabilidade em vez de possibilidade (veja a evolução no gráfico abaixo).

CDS BRAZIL