Nelson Tanure está trazendo Adeodato Netto para organizar e modernizar sua holding pessoal, colocando o fundador da Eleven Research e ex-sócio do Banco Modal na supervisão de um portfólio de bilhões de reais em empresas fechadas e listadas. 

A contratação é um reconhecimento por parte de um dos empresários mais intuitivos e ativos do País – que fez fortuna sem ligar para a opinião de terceiros – de que o mercado cada vez mais exige controles, governança e disciplina financeira.

“Há bastante tempo tenho refletido sobre a necessidade de ter uma estrutura institucionalizada parruda,” Tanure disse ao Brazil Journal. “Tenho investimento em várias empresas e elas precisam de vigilância constante.”

Tanure é controlador ou acionista de referência em três empresas listadas – PetroRio, Gafisa e Alliar – e controla a Ligga Telecom, a antiga Copel Telecom, além de ter comprado licenças 5G para áreas de São Paulo, Paraná e a Amazônia.

Adeodato ficará responsável por buscar eficiência na estrutura da holding, coordenar as operações de dívida, equity e M&A com os CEOs das empresas listadas, e criar processos para guiar decisões de investimento e desinvestimento.

A iniciativa de Tanure vem no momento em que o empresário – que completou 71 anos em novembro – continua mais ativo do que nunca em seu dealmaking, mas desta vez se cercando cada vez mais de executivos de mercado, mais jovens, e alinhados com pacotes de equity.

“Eu reconheço que toda a empresa tem um cotidiano tão duro, tão duro, que se você não tiver equipe você não atinge o resultado que quer,” disse Tanure. “Sinto que chegou a hora de eu ficar no lado estratégico, separando o joio do trigo.”

Tanure e Adeodato se conhecem há anos.  O empresário disse que sempre respeitou o trabalho intelectual da Eleven. Quando o Modal comprou a casa de research, Tanure se tornou cliente do banco, e Adeodato trabalhou em todas as transações do empresário. 

Mais recentemente, Tanure tem reduzido gradualmente sua participação na PetroRio, mas disse que já está olhando outros negócios no setor, principalmente em gás.

“O Brasil é muito rico em gás natural. Temos um potencial fabuloso de gás na Bacia de Santos,” disse ele. “De toda essa conversa sobre novas matrizes de energia, o que tem mais sentido econômico é a substituição do petróleo pelo gás natural. É isso que fecha a conta no fim do mês.”