A Datanomik — uma startup fundada há apenas dois meses no Uruguai — acaba de levantar uma rodada com a Andreessen Horowitz que vai financiar a expansão de sua solução de Open Banking para empresas.

O primeiro destino é o Brasil. 

“É o maior mercado da América Latina e um onde as empresas estão mal atendidas nessa parte de gestão financeira,” Gonzalo Strauss, o cofundador, disse ao Brazil Journal. “Além disso, o Brasil é o único país da região que já está no processo de implementação do Open Banking, o que é uma vantagem muito grande pra gente.”

A rodada seed, de US$ 6 milhões, foi acompanhada pela Canary, Nazca e a Latitud, além de investidores-anjo como Sebastian Mejia, o fundador do Rappi, e Conrado Engel, o ex-CEO do HSBC. 

Na prática, a Datanomik criou um API que captura as informações financeiras das empresas em diferentes bancos e instituições (como adquirentes e plataformas de ecommerce), e depois mostra um retrato padronizado e em tempo real de como está a situação da companhia.

Na plataforma, a empresa consegue acompanhar como está o saldo somado de todas as suas contas, as movimentações que foram feitas, além de seu fluxo de caixa. 

Isso é especialmente relevante para empresas que operam em diversos países e para processadoras de pagamentos, por exemplo.

Essas empresas têm que lidar com centenas de contas diferentes, o que resulta numa perda de produtividade brutal — já que as equipes financeiras acabam gastando horas acessando manualmente cada uma das contas para verificar saldos, transferências ou analisar o fluxo de caixa. 

A Datanomik foi fundada por Gonzalo e por Sergio Fogel, o cofundador da dlocal (que vale US$ 9 bi na Nasdaq) e um dos principais empreendedores do ecossistema de inovação do Uruguai. 

Os dois se conheceram na AstroPay, uma fintech de pagamentos que tem Sergio como um dos principais investidores e onde Gonzalo trabalhou nos últimos sete anos. 

Gonzalo era o head de produtos da AstroPay e foi encarregado de encontrar uma solução para um problema interno que afetava praticamente todas as equipes: a dificuldade de lidar com centenas de dados financeiros de instituições diferentes. 

“Imagina que uma pessoa transferisse R$ 200 para uma conta empresarial nossa: tínhamos que entrar na conta, visualizar esse pagamento, reconciliar o pagamento e depois notificá-lo para o nosso merchant,” disse Gonzalo. “Até aí tudo bem, mas imagine isso com centenas de contas bancárias e dezenas de bancos diferentes e para uma empresa de pagamentos que tinha que processar os pagamentos de forma quase instantânea.”

Ao identificar o problema, Gonzalo foi pesquisar se já existia alguma solução no mercado. Quando não encontrou nada, decidiu criar a sua. 

“Quando eu vi o produto, percebi na hora que tinha espaço para transformar aquilo numa empresa. Oferecemos ao Gonzalo liderar o negócio e investimos nela,” disse Sergio. 

Apesar da ideia ter nascido dentro da AstroPay, Sergio diz que a Datanomik não é um spinoff. 

“O produto da AstroPay foi mais uma inspiração, mas criamos todo o código da Datanomik do zero, porque o código inicial que criamos na AstroPay foi pensado para um cliente só, e a ideia da nova empresa é suportar muitos clientes, países, com uma complexidade muito maior.”

No mercado global de Open Banking, já existem empresas consolidadas, como a britânica TrueLayer e a americana Plaid, que já vale mais de US$ 13 bilhões. 

“Mas se me perguntar se somos a Plaid ou a TrueLayer da América Latina, eu diria que não,” disse Gonzalo. “O foco da Datanomik é para casos de uso B2B, enquanto todas essas plataformas são focadas apenas no B2C.”

Segundo ele, há uma complexidade muito maior para operar no B2B — o que talvez explique a falta de players operando nesse nicho. 

“As empresas demandam uma maior frequência de dados e uma rapidez muito superior,” disse Gonzalo. 

Para se ter uma ideia, “enquanto as empresas [de Open Banking] B2C sincronizam os dados a cada 12 horas, a gente tem que sincronizar a cada 15, 20 minutos e com uma quantidade enorme de movimentações.”