Os dados do varejo estão dispersos. Essa startup quer convertê-los em vendas

Os dados do varejo estão dispersos. Essa startup quer convertê-los em vendas

A Revi – uma plataforma de inteligência artificial para o varejo – acaba de fechar uma rodada que vai permitir escalar sua solução para clientes enterprise, especialmente do varejo físico, e investir mais no produto, aperfeiçoando seus agentes de AI que ajudam a otimizar as vendas. 

A captação, de R$ 8,3 milhões, foi liderada pela ABSeed, uma gestora brasileira especializada em SaaS, e teve a participação da GR8 Ventures e dos quatro investidores que já estavam no captable: a Veredas Partners, Stamina VC, Verve Capital e Crivo. (Os quatro fizeram o follow-on e aumentaram a participação).

Fundada há três anos por Nicholas Love, Juliana Haddad e Marcelo Miyachi, a Revi cria agentes de AI que ajudam o varejo a integrar toda a sua base de dados – tipicamente dispersa em diferentes softwares e separada entre o físico e o digital.

Depois, os agentes da Revi analisam esses dados e sugerem otimizações nas ações de marketing que já estão em andamento, bem como a criação de novas estratégias. 

A Revi começou de uma outra ideia dos fundadores. Em 2021, eles decidiram tentar replicar no Brasil o trabalho que a Podium fazia nos EUA, ajudando marcas do varejo a gerar avaliações de clientes para rankear melhor no Google.

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“Estávamos fazendo testes com essa primeira ideia com umas seis empresas brasileiras, principalmente de moda, e vimos que a dificuldade que elas realmente tinham era de organizar e integrar todos os dados do PDV, ERP e de diferentes softwares,” Nicholas disse ao Brazil Journal.

“Pivotamos para essa ideia e começamos a analisar também onde tinha dinheiro parado nesses dados dos consumidores e como usar esses dados para ações de recompra, fidelização e campanhas de marketing.”

O fundador disse que esse tipo de problema (de falta de unificação dos dados) é especialmente relevante para empresas omnichannel. 

“Quando um cliente compra uma camiseta preta no site, por exemplo, e depois vai na loja, a vendedora já deveria saber que a última compra dele foi essa e que ele tem interesse em camisetas pretas – mas na grande maioria das vezes isso ainda não acontece,” disse ele. 

Segundo o fundador, a solução da Revi não substitui os times de marketing mas potencializa o trabalho desses profissionais – o que pode levar a reduções de custos, com equipes menores fazendo o mesmo trabalho. 

Os agentes também turbinam o trabalho das vendedoras das lojas físicas, que passam a ter mais dados para fazer uma abordagem com maior chance de sucesso na sua base de clientes.

“No digital, os agentes podem olhar para o fluxo de abandono de compra, por exemplo, e pensar em estratégias para reduzir o abandono. Eles podem ver, por exemplo, que os pares do mesmo segmento que tem uma conversão melhor colocam um follow-up no processo de abandono no segundo dia e não no primeiro,” disse ele. “É esse tipo de otimização que fazemos, que em escala geram resultados relevantes.”

Segundo o fundador, o ROIC médio dos clientes da Revi, desde que ela foi fundada, é de 34x – muito superior ao ROIC dos investimentos em plataformas de ads como Meta e Google, que ele diz que gira em torno de 3x a 5x.

 A Revi atende hoje cerca de 500 clientes, incluindo nomes como a Aura Beauty (uma marca de cosméticos da influencer Jade Picon); a Baw Clothing; e o Grupo Rosset, dono da marca Cia. Marítima. Recentemente, ela fechou um contrato também com o Grupo Aste, que opera a marca Kipling no Brasil.

No ano passado, a startup faturou R$ 6 milhões, um número que deve triplicar este ano, chegando a R$ 18 milhões. A meta dos fundadores é chegar a R$ 40 milhões até o final de 2028.

Com os recursos da rodada, Nicholas disse que a startup vai focar em entrar em clientes enterprise do varejo físico – já que hoje ela ainda está concentrada no digital –, além de investir no aperfeiçoamento da tecnologia. 

“Hoje, já temos vários agentes em operação, mas temos que continuar melhorando o desempenho e construindo novos. O objetivo final é chegar num software que seja 100% operado por agentes. A AI vai entender os grandes objetivos e metas da empresa, e como operar como se fosse um serviço de agência de marketing, fazendo tudo para os clientes,” disse Nicholas.