Sad fact: nos Estados Unidos existem mais lojas de payday loans – empréstimos predatórios para cobrir despesas emergenciais – do que McDonald’s. 

São 23 mil lojas desse tipo espalhadas por praticamente todos os estados – contra 12 mil da maior rede de fast food do mundo.

Esses empréstimos, que cobram taxas que podem chegar a 400% ao ano, são usados pelos 91 milhões de americanos que têm um score de crédito abaixo de 620 pontos – o que os impede de ter acesso aos bancos tradicionais. 

Quando se mudou para Miami, o brasileiro Fábio Torelli ficou chocado com esse cenário e fundou a fintech OneBlinc para oferecer uma alternativa a esse perfil de cliente.

“Esse pessoal é o que eles chamam do subprime americano, que basicamente é o cara quebrado… Mas se você pensar na riqueza que eles geram por ano, em renda, é mais de US$ 2 trilhões!” disse o empreendedor, que antes de fundar a fintech trabalhou no Citi, Santander e no BMG. 

“Mesmo assim, esse cara não tem acesso a nada – nem a bancos tradicionais, nem a credit unions, nem a bancos regionais. Ele fica sujeito apenas ao payday lender.”

Para ganhar escala nesse nicho, a OneBlinc acaba de levantar uma Série A liderada pelo Inovabra, o fundo de corporate venture capital do Bradesco. A rodada teve a participação de investidores como José Luiz Pedro Acar, o ex-executivo do Bradesco e ex-CEO do Banco Pan; Marcos Lutz, o CEO da Ultrapar; e José Flávio Ramos, CEO da BR Partners. Alvaro Augusto “Guti” Vidigal, o CEO da Singulare, também é investidor. 

Até agora, a rodada já levantou US$ 16 milhões, mas a OneBlinc está em conversas com investidores para elevar o total para US$ 20 milhões. (O Inovabra está colocando um cheque de US$ 10 mi.)

A startup começou oferecendo crédito consignado para funcionários públicos dos EUA com uma taxa de 30% ao ano. “Nosso perfil padrão é uma mulher na faixa de 50 anos, funcionária pública, três filhos e que ganha em torno de três salários mínimos,” disse Fabio. 

Com o tempo, a fintech incluiu outros produtos na plataforma, como a antecipação de salário, que é cobrada direto na folha de pagamento. Segundo Fabio, essa é a grande aposta da OneBlinc para ganhar escala nos próximos meses. 

“Quando uma pessoa que está conectada ao nosso sistema entra no cheque especial, eu consigo ver e já ofereço para ela o adiantamento de salário – sem cobrar juros,” disse ele. “Não ganhamos nada com isso, mas é uma forma de aumentar a base de clientes de forma rápida e com CAC muito baixo.”

A OneBlinc já tem 50 mil clientes que usam o produto de antecipação de salário e espera chegar a 500 mil com o dinheiro da rodada. A meta final é bater 1 milhão de clientes, quando a fintech deve começar a trabalhar o cross-selling de outros produtos para a base, aumentando a monetização. 

Segundo Fabio, a inadimplência no mercado de subprime gira em torno de 25%. “A nossa é menos da metade disso. Nosso modelo consegue cortar pela metade a inadimplência com o uso muito forte de dados,” disse ele.

A OneBlinc vai usar US$ 10 milhões do capital levantado para comprar as cotas subordinadas de um fundo de Credit Facility – uma espécie de FIDC dos EUA – e levantar outros US$ 90 milhões com investidores, praticamente dobrando sua carteira de crédito.