Em qualquer guerra, a primeira baixa é a verdade – e a verdade é que ninguém sabe ao certo quanto petróleo ainda está sendo escoado pelo Estreito de Ormuz.

A Citrini Research decidiu ir a campo em busca de informações mais precisas. Despachou para a região do conflito um analista municiado com US$ 15.000 em cash, óculos escuros com uma câmera embutida, um celular Xiaomi com câmera Leica de zoom de 150x e – claro – um pacote de charutos cubanos.

O resultado é o relatório mais comentado pelos mercados na manhã de hoje.

Segundo as observações do analista, os satélites (hoje uma das principais fontes de informação dos mercados sobre o que ocorre no Estreito) não detectam metade dos petroleiros que ainda estão cruzando o estreito. Eles navegam com o transponder desligado ou emitem mensagens falsas – como ‘Tripulação Chinesa’ – para não serem alvos de ataques.

Segundo a Citrini, a frota fantasma de petroleiros do Irã conta com pelo menos 29 navios, que teriam transportado cerca de US$ 3 bilhões em petróleo para a Malásia desde o início dos bombardeiros.

A Citrini, baseada em Nova York, é a mesma casa de análise que em fevereiro causou um estrago nas ações das empresas de software por causa de um relatório sobre o mundo pós-AI.

O analista que ela despachou para o Oriente Médio foi enviado a Fujairah, uma cidade ao norte dos Emirados Árabes Unidos. Seu nome, por razões evidentes, não foi revelado: no relatório, ele é chamado de Analista #3. Sabe-se apenas que é um homem ‘não americano’ que fala quatro línguas, incluindo árabe.

“O Analista #3 decidiu – contrariando o conselho de um agente de fronteira de Omã, o conselho implícito de Deus e o conselho extremamente explícito de dois oficiais da Guarda Costeira armados com fuzis de assalto – que iria para o centro da hidrovia mais importante do planeta, em plena guerra, em uma lancha sem GPS, comandada por um homem que conhecera três horas antes na entrada de um porto, ao lhe entregar um maço de dinheiro,” diz o relatório.

Antes de cruzar a fronteira para Omã, um oficial pediu que o analista-espião assinasse um documento. Era uma declaração de que ele não faria fotos nem se envolveria em atividades jornalísticas ou coleta de informações de qualquer tipo.

“Ele assinou,” disse o relatório. “Em seguida, o oficial abriu a resistente maleta Pelican do Analista #3 para inspecioná-la. O que ele não viu: o gimbal [um estabilizador portátil de imagem], o microfone e os óculos de sol com gravador. A missão prosseguiu.”

A necessidade de entender melhor o que está acontecendo on the ground se impôs porque, de seu escritório em Midtown Manhattan, a Citrini “assistia aos mercados mais líquidos do mundo oscilando como meme coins,” influenciados pelos tuítes de Trump e as manchetes das agências de notícias. 

“Ficou claro que ninguém – literalmente ninguém, nem os analistas, nem os correspondentes, nem os generais aposentados que fazem aparições em noticiários e muito menos nós – tinha a mínima ideia do que estava acontecendo,” afirma o relatório.

Ainda segundo o texto, todos usam “as mesmas imagens de satélite desatualizadas, as mesmas fontes anônimas do Pentágono e os mesmos dados de navegação do AIS, que, como descobrimos mais tarde, não registravam aproximadamente metade do que realmente transitava pelo estreito em um determinado dia.”

James van Geelen, o fundador da Citrini, é um ex-paramédico de 33 anos que vem conquistando assinantes (pagos) para seus relatórios publicados no Substack. Há três anos, acertou ao recomendar o short no Silicon Valley Bank antes de seu colapso.

Em uma entrevista à revista New York, van Geelen disse que o “Morgan Stanley não enviaria um analista para Fujairah.”

De acordo com as observações do Analista #3, as movimentações tanto de navios como de tropas militares têm sido mais intensas do que os relatos oficiais – e a população local vem se preparando para um conflito prolongado.

“Não vejo muitos riscos precificados em relação a um conflito prolongado e complexo,” van Geelen disse à New York. “Eu realmente esperava que, ao chegarmos lá, veríamos que está tudo bem – mas até agora não é o caso.”