Desde que foi fundada 48 anos atrás, a Cetrel se tornou a segunda maior empresa brasileira do setor ambiental, prestando serviços que vão do fornecimento de água até a gestão de resíduos da indústria, passando pela resposta a emergências.

Agora, a companhia controlada pelo Grupo Solví (que opera alguns dos maiores aterros do País) está se preparando para um novo ciclo de crescimento — turbinado em boa parte pela crise da Ambipar, sua principal concorrente. 

A Cetrel nasceu originalmente para atender as empresas do polo petroquímico de Camaçari na gestão de seus resíduos. Além de clientes, as empresas eram os acionistas do negócio.

Em 2017, o negócio foi vendido para a Braskem, que o repassou ao grupo Solví dois anos atrás por R$ 284 milhões.

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Hoje, ela já é o segundo player nos três mercados em que opera, faturando cerca de R$ 1 bilhão no ano passado e atendendo mais de mil clientes.

A Ambipar – a líder do segmento – fatura algo em torno de R$ 2 bilhões nas mesmas verticais. A dúvida é até quando esse faturamento vai se sustentar.

Desde que a Ambipar entrou em recuperação judicial, alguns de seus clientes vem buscando alternativas para quando o contrato terminar. E um beneficiário natural deste movimento é a Cetrel — já que, abaixo dela, o mercado é extremamente fragmentado e regional.

“As questões de governança e segurança são muito relevantes no nosso setor, e situações como essa dificilmente passam no compliance das grandes empresas,” o CEO da Cetrel, Ciro Gouveia, disse ao Brazil Journal. “Nosso setor também é muito intensivo em capital de giro, então uma crise grande na empresa naturalmente deixa os clientes preocupados.”

Segundo ele, o crescimento da Cetrel para os próximos anos não se baseia nisso — ainda que a crise de seu maior concorrente certamente seja um empurrão importante.

 A maior parte da receita da Cetrel hoje vem das verticais de águas e efluentes e economia circular (a gestão de resíduos), que cada uma responde por 40% do top line. Os 20% restantes ficam na área de resposta à emergência, que apesar de ser a menor também é a que mais cresce. 

Parte desse crescimento tem vindo de M&As. Em fevereiro, a Cetrel adquiriu a CTA, uma empresa focada em treinamentos e simulações, e pretende fazer outras aquisições.

O CEO disse que a Cetrel tem diversas conversas em andamento e está analisando M&As nas três verticais que opera. Em águas e efluentes, por exemplo, a companhia tem uma concentração muito grande na Bahia, e um dos planos é crescer em outros mercados.

Na resposta a emergências, há poucos alvos potenciais, diz o CEO. “Ficaram poucas empresas, e muito pequenas, porque a Ambipar acabou comprando todo mundo,” disse ele. “Mas se acharmos oportunidades pontuais para acelerar nosso crescimento, vamos olhar.”

A Cetrel tem R$ 120 milhões em caixa para fazer aquisições e opera com uma estrutura de capital “muito saudável,” disse Gouveia, com uma alavancagem de apenas 0,7x EBITDA. 

Os M&As devem ajudar a Cetrel a cumprir um plano ambicioso de expansão. A companhia quer mais que dobrar seu faturamento nos próximos cinco anos, chegando a R$ 2 bilhões, um crescimento médio de 20% a 25% ao ano.

A companhia se beneficia por fazer parte do Grupo Solví, que é controlado pelo empresário Carlos Villa, dono de 62% do capital. A australiana Macquarie Group, uma das maiores gestoras do mundo, entrou no captable em 2019, quando comprou 38% das ações. 

Além de controlar a Cetrel, a Solví também opera no mercado de aterros, onde concorre com a Orizon, e na produção de biometano. O grupo como um todo fatura perto de R$ 4 bilhões.