MARSELHA – O clima é o seguinte: o sal do Mediterrâneo está no ar, os passos dos gregos antigos ecoam nas pedras gastas, e o burburinho é de uma cidade que nunca dorme. 

Marselha não é a Côte d’Azur glamourosa dos cartões-postais, mas é uma explosão de cores, aromas e vozes onde cada esquina guarda uma história. Fundada há 2.600 anos por colonos gregos, que a batizaram de Massalia, a cidade respira história em cada canto.

Caminhar pelo Vieux-Port (o Porto Velho) é folhear um livro antigo: as pedras do porto, os fortes que resistiram a séculos de ventos e batalhas, os barcos que ainda chegam carregados de peixes frescos para os mercados. 

Mas Marselha não é só passado. Ela pulsa com uma energia moderna, uma mistura de culturas que se encontra nas ruas, nos cafés e nos rostos geralmente sorridentes de quem vive ali. Do museu MuCEM, com sua arquitetura ousada, à Cosquer Méditerranée, réplica de uma gruta pré-histórica que já esteve submersa, a cidade surpreende. 

E quando o sol bate forte, nada melhor do que se perder nas Calanques, aquelas enseadas de águas cristalinas com falésias selvagens, onde o Mediterrâneo parece abraçar a terra.

Abaixo, um roteiro para cinco dias de descobertas.

Dia 1: O primeiro abraço na cidade e no mar

Comecei pelo Vieux-Port, o coração histórico de Marselha, onde os pescadores vendem suas capturas matinais. Em seguida, subi até a Basílica de Notre-Dame de la Garde, de onde se tem uma vista panorâmica de tirar o fôlego. À tarde, fui às Plages du Prado, praias urbanas artificiais, mas cheias de vida, onde os marselheses aproveitam o sol após o trabalho. Para fechar o dia, tomei um pastis (bebida aperitiva) em um bar à beira-mar, enquanto o sol se punha atrás da basílica. Comecei bem.

Dia 2: A imersão na beleza selvagem – as Calanques 

Dediquei o dia inteiro ao Parque Nacional dos Calanques. Optei por um passeio de barco com um guia. O barco saiu do Vieux-Port e me levou às enseadas de Sormiou, Morgiou e En-Vau, com suas águas verde-esmeralda. Fizemos paradas para mergulhos de cerca de 40 minutos. Para os mais aventureiros, recomendo trilhas até praias escondidas como a Calanque de Sormiou o esforço é recompensado com um mergulho em águas cristalinas.

Dia 3: Cultura, mistério e o sabor inesquecível

Pela manhã, peguei um barco até o Château d’If, o castelo que inspirou Alexandre Dumas em seu livro O Conde de Monte Cristo. Ao voltar, visitei o Museu de História de Marselha, onde mergulhei em seus 2.600 anos de história, da fundação grega aos dias atuais. À tarde, explorei a Cosquer Méditerranée e me perdi nas ruas do Le Panier, o bairro mais antigo, cheio de arte de rua e ateliês. À noite, provei a autêntica bouillabaisse em um restaurante tradicional, e de sobremesa experimentei o doce típico parecido com o churros, o chischis, selando minha imersão na cultura mediterrânea. 

Dia 4: Tradições, beach club e pôr do sol

Pela manhã, visitei uma fábrica de sabão de Marselha, onde aprendi sobre a tradição artesanal que remonta ao século XVII. À tarde, fui a um beach club na Plage du Prado, onde DJs tocam enquanto o sol se põe. 

Dia 5: Despedida com sabor e história

Aproveitei para explorar os mercados locais, como o Marché de la Pointe Rouge, onde comprei especiarias, azeites e, claro, mais sabão de Marselha. À noite, jantei em um dos restaurantes com vista para o porto, brindando com pastis e celebrando a boa energia da cidade.

Dicas 

Transporte: Para quem chega de Paris, a melhor opção é o TGV, o trem de alta velocidade (a partir de 16 euros, se comprado com três meses de antecedência).

Observação: Marselha é uma cidade fascinante, mas é inegável que alguns bairros e áreas públicas podem estar menos cuidados e mais sujos do que o esperado em outras cidades francesas. Mesmo assim, seu charme, história e paisagens naturais fazem dela um destino imperdível.

Mais informações sobre onde se hospedar, onde comer, passeios e outras dicas estão no site do Escritório de Turismo de Marselha.