O Magalu reportou resultados fracos num quarto trimestre repleto de ajustes –  e os analistas esperam mais um dia difícil para a ação. 

No início do pregão de hoje, o papel caía 11,5%  – no ano, a ação tem queda acumulada de 33%. 

O EBITDA ajustado da empresa caiu 53,5% e ficou em R$243,5 milhões no quarto trimestre em relação ao 4T20, com margem EBITDA ajustada de 2,6%. (O EBITDA contábil ficou negativo em R$ 7,9 milhões, com margem EBITDA de -0,1%.)

A empresa alcançou a margem EBITDA de 2,6% depois que ajustou o resultado em R$ 251,4 milhões por conta de itens não recorrentes  – segundo o Santander, a maior parte do valor veio de um ‘downsizing’ da operação 1P; os analistas do BTG disseram que desse total R$ 249 milhões referem-se a layoffs; e os analistas do Citi ainda esperavam disclosure sobre esse número no call de resultados.

O lucro líquido contábil do Magalu caiu 57,6% para R$ 93 milhões, positivamente impactado por créditos fiscais – em números ajustados, a empresa teve prejuízo líquido de R$ 79 milhões.

O Magalu teve queda de 6,6% na receita líquida, que ficou em R$ 9,4 bilhões na comparação com o mesmo período de 2021.

Na operação de lojas físicas, onde o Magalu começou, as vendas no conceito mesmas lojas implodiram 22,8% no trimestre. 

O GMV total no ecommerce do Magalu cresceu 17%, mas tudo em cima do marketplace: a operação 3P cresceu 60% enquanto o 1P avançou 0,9%. A alta do GMV total foi inferior ao desempenho dos concorrentes: MELI cresceu 23%; Americanas + 36% e Via, + 20%. 

A margem bruta do Magalu ficou em 25,3% no trimestre, com alta de 60 pontos-base e 170 pontos-base acima do consenso do mercado – segundo os analistas do Santander, por conta de cerca de R$ 300 milhões de reversões de provisões de estoque, enquanto a companhia continua ajustando o nível de seus estoques ao cenário atual de vendas mais fracas. 

Os analistas do Citi notaram que o Magalu teve aumento considerável na alavancagem com a dívida líquida (excluindo-se recebíveis de cartão de crédito) saindo de R$ 247 milhões no terceiro trimestre de 2021 para R$ 2,7 bilhões no 4T21. 

As vendas do  Magalu são mais concentradas em itens de maior valor, como os eletroeletrônicos, mais atingidas no cenário de inflação e juros altos. Além disso, o ecommerce no Brasil vive um momento de maior concorrência, com novos players internacionais.