Todos foram pontuais – exceto André Esteves, que chegou um pouco depois.
Os 16 empresários chegaram ao Palácio da Alvorada às 19h30 de segunda-feira. Lula e Janja desceram a escada por volta de 19h40. Ela cumprimentou todos cordialmente, mas não ficou para o jantar.
O Presidente parecia em ótima saúde. Ainda no coquetel, quis saber dos convidados como o “tarifaço” de Trump os estava afetando. Lula circulou em várias rodas e deu atenção a todos.
O small talk durou pouco. Logo passaram à mesa oval onde comeriam. Os assentos estavam previamente marcados. Joesley Batista se sentou de frente para Lula. À direita de Joesley estava José Seripieri, o Júnior da Amil, e à esquerda, Esteves.

O presidente do PT, Edinho Silva, foi o primeiro a falar – mas só para perguntar se alguém queria começar ou se ele deveria “escalar um voluntário”. Como ninguém se voluntariou, Edinho pediu que Esteves começasse.
O banqueiro do BTG fez uma fala elogiosa ao Governo.
Começou dizendo que Lula havia garantido a democracia, e que ele, Esteves, estava muito preocupado com “a questão institucional brasileira.”
Disse também que a economia em linhas gerais vai bem, com emprego recorde, inflação sob controle e reservas robustas, e repetiu o que costuma dizer em público: que o que falta consertar (o quadro fiscal) “é muito fácil de fazer.”
Em seguida, falou Joesley. O controlador da JBS deu um tom mais realista. Disse que “existe uma enorme preocupação” com as contas públicas, e que esta preocupação “já não é mais só dos empresários, só da Faria Lima, ela já chegou às pessoas comuns.”
Joesley falou pouco e de forma simples – mas foi cirúrgico.
Júnior veio em seguida. O empresário da Amil lembrou que todos ali haviam ganhado muito dinheiro “nos governos Lula”, e que o Presidente é o raro político com sensibilidade para olhar para os pobres.
Repetiu também o que já havia dito em outras reuniões do tipo: que muitos empresários reclamam de barriga cheia. “Nenhum de nós chegou aqui de ônibus.”

Depois de Júnior, falou Aloizio Mercadante. O presidente do BNDES reconheceu a necessidade de um ajuste fiscal já que “não se derruba juros na canetada”.
Roberto Setúbal, o chairman do Itaú, disse estar feliz de ver o presidente com saúde, “magrinho”, depois de anos sem encontrá-lo.
Os outros presentes fizeram falas mais protocolares e, no final, Edinho deu a palavra de novo a Esteves, “para ele contar a boa notícia.”
O banqueiro sorriu embevecido. “Acho que o que o Edinho está falando é da minha reunião neste fim de semana com o Presidente Trump”.
Dirigindo-se a Lula, Esteves disse que Trump comentou que “Lula é um cara duro, but it’s okay. Se eu estivesse no lugar dele, eu também seria duro comigo.”
Esteves continuou: “E quando ele falou do senhor, Presidente, ele falou com admiração, eu senti até um certo carinho…”
Quando tomou a palavra, Lula falou pouco.

Disse que “entende” a preocupação com o quadro fiscal, mas que tem “um compromisso pessoal” com a estabilidade das contas públicas. E pôs-se a falar de seus feitos de outrora, como ter sido “o único presidente do G20 que entregou 8 anos de superávit primário.” Pena que não desta vez.
O jantar transcorreu em tom descontraído, com várias brincadeiras. Lula não fez nenhuma crítica direta a seus adversários.
Saindo dali, um empresário comentou com outro: “Ele vai perder a eleição. Não é que ele esteja velho, ele está desconectado. Ele não entende o tamanho do problema, e pode vir uma onda de direita na reta final.”











