A CVC acaba de anunciar que Fábio Mader, seu atual vp de produtos e revenue manager, será o novo CEO da companhia, substituindo Fábio Godinho, que estava há quase três anos no cargo.
A mudança tem a ver com o novo momento da empresa. A leitura do board foi de que Godinho é um executivo com um perfil muito forte de turnaround, e que fez um ótimo trabalho de reestruturação – mas o momento atual pede um executivo com mais perfil de execução.
Mader tem esse perfil. Entre três passagens, o executivo trabalhou quase 15 anos na CVC, liderando diretorias como a de operações, produto nacional, produto internacional e o departamento de aéreo e marítimo.

Também foi o country manager da CVC na Argentina e, nos últimos quatro anos, tem atuado como vp de produtos e revenue manager, liderando a contratação de todos os produtos da empresa (da negociação à criação) e a precificação dos pacotes.
Antes da CVC, ele foi diretor comercial da Gol, diretor comercial e de marketing da WebJet e CEO do grupo GJP Hotels, a rede de hotéis que a família Paulus vendeu em 2021 para um um fundo de private equity.
Assim como Godinho, Mader é muito próximo da família Paulus, hoje a maior acionista da CVC com cerca de 20% do capital. Outros acionistas relevantes são a Apex Partners, com cerca de 10% das ações; o Absolute, com 9,8%; e o Opportunity, com 7,8%.
A mudança no comando da CVC passa a valer de imediato e Godinho está deixando a companhia.
Mader assume com o objetivo de aumentar a rentabilidade, continuar com o processo de desalavancagem e iniciar uma expansão global do negócio B2B.
“Não conseguiríamos implementar esse próximo passo sem a reestruturação dos últimos dois anos e meio que o Godinho fez,” Mader disse ao Brazil Journal. “O mandato dele era de estabilização e reestruturação, e ele fez isso muito bem. Ele fez um ‘back to basics’ na companhia e já fez mudanças muito importantes na cultura, resgatando de volta a paixão por vender, que sempre foi o DNA da CVC.”
Mader disse que sua gestão será baseada em cinco pilares. O primeiro é colocar as pessoas no centro. “A CVC não tem avião, hotéis… Nosso principal ativo são as pessoas. Somos reconhecidos pelo pilar assistencial e temos que reforçar isso,” disse o novo CEO.
“Já resgatamos a paixão por vender, mas agora temos que colocar muita ênfase no cliente e em trazer uma cultura digital para dentro da companhia. Todos os colaboradores da CVC têm que pensar digitalmente.”
O segundo pilar é a rentabilidade, o que passa por melhorar a eficiência dos processos internos, precificar melhor os produtos, e pela desalavancagem, que reduz os custos financeiros. Além disso, Mader disse que a CVC vai passar a focar ainda mais no desempenho do ‘same-store sales’ das lojas.
“Já olhamos isso, mas vamos dar ainda mais atenção porque queremos um crescimento sustentável da rede de franquias,” disse ele.
A margem EBITDA da CVC, que chegou a cair para 10% em 2022, durante a pandemia, já está próxima de 30%. “No Brasil, ela já está acima de 30%, mas na Argentina é menor,” disse o CFO Felipe Gomes. “Já estamos chegando nos 30% que tínhamos prometido ao mercado, mas queremos entregar mais. A companhia já teve momentos em que operou próxima de 35%, 36%.”
O terceiro pilar será a globalização do B2B. A CVC tem hoje duas empresas focadas em atender agências pequenas e médias: a Rextur Advance, que opera com aéreo, e a Conectaas, que opera com hotelaria.
Hoje 90% das vendas das duas empresas são para agências brasileiras, e apenas 10% para agências de outros países. O plano é levar esse percentual para cerca de 30%, o que traria uma receita em moeda forte para o negócio e criaria um hedge natural, já que a CVC tem que pagar muitos fornecedores em dólar.
O quarto pilar é a desalavancagem, um processo que já vem sendo implementado ao longo dos últimos anos. “Já reduzimos muito a alavancagem, mas temos um desafio grande de continuar fazendo isso porque nossa dívida ainda é muito cara,” disse Mader.
A CVC fechou o terceiro tri com uma dívida líquida de cerca de R$ 400 milhões e alavancagem de 0,5x (que sobe para 1,8x quando se inclui a antecipação de recebíveis).
O problema: o custo dessa dívida é de CDI + 4,5%, e a duration média é de 1,8 ano. “Nossa ideia é ir pré-pagando essa dívida conforme geramos caixa, e estamos sempre atentos às oportunidades do mercado para poder trocar essa dívida por uma mais barata,” disse o CFO.
Por fim, o último pilar é a integração dos negócios. Mader disse que a CVC já começou a integrar a operação da Argentina com o Brasil, mas que ainda tem muitas oportunidades de integração do back office e da gestão. Outra frente de integração é do B2B com o B2C.
A CVC vale R$ 1,37 bilhões na Bolsa. A ação sobe 57% nos últimos doze meses, e fechou ontem a R$ 2,64.











