A Havan aumentou seu faturamento em 16,1% no ano passado, atingindo um top line de R$ 18,5 bilhões e ganhando market share no setor — mas a varejista de Brusque teve que ceder um pouco de margem para sustentar a forte expansão.
O crescimento de 2025 veio em cima de uma base comparativa já forte, já que em 2024 a Havan já havia crescido outros 22,1%.
O fundador da empresa, Luciano Hang, disse ao Brazil Journal que a maior parte do crescimento veio de volume, com as ‘vendas mesmas lojas’ crescendo 14%. A companhia abriu sete novos pontos no ano, sendo seis no último trimestre, e portanto com impacto imaterial sobre o faturamento.

A Havan hoje tem 184 lojas – todas com praça de alimentação e estacionamento gratuito – e acaba se posicionando como o shopping da cidade do interior, tornando-se um destino para as famílias.
“O ano passado foi um ano difícil e decidimos reduzir as aberturas. Mas acreditamos, e conseguimos entregar um bom resultado com ganho de market share,” disse Hang.
O crescimento da Havan ficou bem acima do mercado. Enquanto a Havan cresceu 16,1%, a Riachuelo, por exemplo, cresceu 9%. A Renner e a C&A ainda não publicaram seus balanços fechados do ano, mas cresceram 11,8% e 8,4%, respectivamente, nos nove primeiros meses de 2025. (O setor varejista como um todo cresceu menos de 3%.)
No ano passado, o tráfego nas lojas da Havan atingiu 190 milhões de pessoas (incluindo clientes recorrentes), uma alta de 7% em relação a 2024. O tíquete médio subiu 8,3% para R$ 275.
O forte crescimento, no entanto, veio às custas de alguma rentabilidade. A margem bruta caiu de 40,9% em 2024 para 38,9% no ano passado. Já a margem EBITDA foi de 23,9% para 23%.
Hang disse que a queda teve a ver com a alta do dólar e dos custos de frete no início do ano passado, que impactou no custo das mercadorias vendidas.
“Nossa importação direta é 8% do total, mas quando sobe frete e dólar isso tem impacto no nosso preço,” disse ele. “Às vezes você precisa sacrificar um pouco de margem para não perder volume. O ano começou assim e foi crescendo, e optamos por não mexer nos preços para continuar crescendo.”
Segundo o ‘Véio da Havan’, a dinâmica está sendo oposta neste início do ano graças à queda do dólar, e a Havan já está vendo recuperação nas margens.
A companhia reportou um EBITDA de R$ 3,1 bilhões no ano passado e um lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, beneficiado por alguns fatores não-recorrentes. A Havan teve um ganho de cerca de R$ 450 milhões em vitórias judiciais contra a União, dos quais R$ 220 milhões relacionados a subvenções de IRPJ/CSLL e a redução de parcelamento, e o restante de ações relacionadas ao PIS/Cofins.
Considerando este item extraordinário, o bottom line cresceu 28,1%, com a margem líquida ficando em 25,1%.
Hang disse que o objetivo para 2026 é acelerar a abertura de lojas – a meta é inaugurar de 15 a 25 megalojas – e aumentar o faturamento em mais de 20%, ultrapassando os R$ 22 bilhões.
O foco das aberturas será no Norte e Nordeste, onde a presença da Havan é menor. Segundo Hang, a companhia vai abrir uma loja em Fortaleza, uma em Roraima e outra em Macapá, entrando nos últimos três estados onde ainda não está presente.
“Já compramos todos os terrenos e a construção de Macapá já começou. Roraima e Fortaleza vão começar nos próximos meses,” disse ele.
O plano da Havan é fazer um capex de R$ 1,5 bilhão este ano, em comparação aos R$ 800 milhões do ano passado. Cada nova loja demanda um investimento de cerca de R$ 100 milhões, já considerando o terreno.
Todo o aporte para as novas lojas é feito por meio de fundos imobiliários e de dois FIDCs dos quais Hang é o único cotista (um antecipa recebíveis de cartões, o outro financia fornecedores).
No ano passado, a Havan distribuiu R$ 2,3 bilhões em dividendos para o Véio, que é o único acionista da companhia. Segundo Hang, praticamente todo esse capital volta para a companhia na forma de aportes nos fundos imobiliários e nos FIDCs que sustentam o crescimento da empresa.
“Por isso eu falo que a Havan é uma empresa rica de um dono pobre. Tudo que eu ganho com a empresa eu coloco de volta no negócio,” disse ele. “A Havan sempre foi uma empresa de investimento máximo. Desde 2009 pensamos muito em crescer. Se a empresa dava lucro de R$ 1 bi, pegávamos dinheiro com o banco e investíamos R$ 1,5 bi.”
Esse cenário mudou a partir de 2022, quando a inadimplência começou a aumentar e a varejista teve que fazer uma limpa em sua carteira de crédito, cancelando mais de 2 milhões de clientes. “Paramos para cuidar da inadimplência e pagamos todas as dívidas bancárias. 2024 e 2025 foram a colheita de todo o trabalho que fizemos nos últimos anos,” disse ele.
Agora, com a casa arrumada, Hang quer voltar a crescer. Quando bater 200 lojas, o empresário disse que vai aumentar a meta para 300, e que no longo prazo vê potencial para até 500 lojas no Brasil.











