It’s a Barbie world: os ingredientes de uma campanha viral que virou fenômeno

It’s a Barbie world: os ingredientes de uma campanha viral que virou fenômeno

Por trás do filme mais hypado dos últimos anos há uma campanha de marketing viral que tem tudo para se tornar um case a ser estudado por CMOs em todo o mundo.

Barbie estreou nesta sexta-feira, mas a campanha de promoção do filme está no ar desde abril – uma joint production entre os executivos da Mattel e os produtores do filme.

A campanha começou com uma estratégia de viralização simples: um gerador de memes que permite a criação de selfies com o poster do filme. O meme foi um fenômeno, fazendo com que milhares de usuários e influenciadores criassem sua versão do poster.

Em seguida, em grandes capitais mundiais, apareceram billboards contendo apenas um fundo rosa com a data de lançamento do filme.

Depois, veio uma série impressionante de parcerias. Já são mais de 100 collabs, incluindo uma coleção inteira da Zara e uma casa da Barbie em tamanho real (!!!) para aluguel no Airbnb. (Aos interessados: a casa fica em Malibu.)  Em todos os casos, a Mattel fica com de 5% a 15% do faturamento.

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A partir daí, vieram os efeitos de rede: para surfar a onda, outras marcas mundo afora aproveitaram o momentum criado pela Mattel e lançaram suas próprias coleções temáticas – eu mesma recebi pelo menos 30 emails de marketing até agora, de marcas como Água de Coco ("A cor é rosa"), Farm ("DEU ROSA"), Valisère ("Hoje é dia de lingerie rosa.") e Trocafone ("está toda Barbiezinha”). 

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A Warner Bros. estima que o filme vai faturar US$ 100 milhões só neste primeiro final de semana (comparado com US$ 45 milhões para o também estreante Oppenheimer, da Universal).

Mas, afinal, o que faz com que produtos viralizem?

No livro Contágio: Por que as Coisas Pegam, Jonah Berger explica que uma boa estratégia de viralização conta com seis ingredientes-chave: 

  1. O produto tem que funcionar como uma moeda social, fazendo o usuário sentir-se bem visto. Isso contribui para compartilhamentos e efeitos de rede como os que foram observados na campanha da Barbie.

  2. Preferencialmente, o produto tem que ser associado a um gatilho psicológico, ou seja, um contexto que faça com que o usuário se lembre dele. Quase todo mundo lembra da “pausa para o café” e o KitKat. E que tal o mundo rosa criado pelas collabs?

  3. O produto que é associado a emoções de alta intensidade (lembranças felizes, surpresa, animação, ansiedade ou medo) é mais suscetível de ser compartilhado.

  4. Rastros públicos de marcas (tote bags, mensagens automáticas) fazem com que marcas sejam facilmente lembradas. (Atire a primeira pedra quem não viu o meme do poster da Barbie.)

  5. A marca tem que ter um valor claro (como por exemplo escassez, qualidade ou disponibilidade), o que ajuda a ganhar preferência dentro do seu mercado. A Hermès, por exemplo, construiu uma reputação fortíssima em torno de um valor de escassez. Já o McDonalds se tornou sinônimo de value e de uniformidade.

  6. O produto tem que gerar histórias ou relatos em torno dele. Sem perceber, falamos de marcas ou produtos várias vezes ao dia. A melhor viralização é a que consegue incluir um produto neste marketing boca-a-boca orgânico diário.


Esse tipo de estratégia viral/orgânica que Barbie usou deve se tornar cada vez mais relevante no mundo do marketing e growth — dado que, com a exaustão do marketing de performance, os anunciantes possuem cada vez menos visibilidade de dados e os CACs (custo de aquisição do cliente) estão cada vez mais altos – o que força os anunciantes a buscar alternativas.

Bolar estratégias para aquisição de clientes de forma inteligente e criativa não é nada fácil, e vai separar o joio do trigo. 

E neste assunto, a Mattel deu aula.

Renata Stuhlberger escreve sobre tecnologia e empreendedorismo na newsletter Milkshade e ajuda empreendedores a fundar startups na Fisher Venture Builder.