Um consórcio formado pela XP e um grupo de construtoras acaba de assumir a concessão da chamada Rota da Celulose – um conjunto de trechos de rodovias estaduais e federais no Mato Grosso do Sul.
A concessão marca a estreia do grupo de Guilherme Benchimol em rodovias e amplia sua presença nos negócios de infraestrutura.
“O setor agora realmente ficou muito bom. Amadureceu, melhoraram os contratos,” disse o head de investimentos em infraestrutura da XP, Túlio Machado, ao Brazil Journal.
Leiloada em maio do ano passado, a Rota da Celulose contempla 870 km entre duplicações e implantação de terceiras faixas e acostamento. O capex é de cerca de R$ 6 bilhões ao longo dos 30 anos de concessão, e as despesas operacionais levarão o desembolso total para perto de R$ 10 bilhões.A parte de equity da XP no empreendimento virá de um de seus fundos de infraestrutura. A XP já tem sete veículos de infra com quase R$ 4 bi sob gestão.
Esses fundos da XP já investiram em ativos como os aeroportos de Campo de Marte (SP) e Jacarepaguá (RJ), transmissão e geração de energia, um terminal de contêineres e uma empresa de telecom voltada a infraestrutura digital e soluções de nuvem.
A XP disse que está avaliando as próximas concessões de rodovias, bem como outros segmentos de infraestrutura com olhar oportunístico.
“Temos um mandato amplo. Essa nossa área de infra está completando oito anos e conseguimos diversificar. Fomos colocando um pé em cada setor, e hoje temos uma plataforma para olhar rodovias, aeroportos, portos, energia, telecom,” disse Machado.
A concessão da Rota da Celulose veio após a XP ter ficado em segundo lugar no leilão original, com a inabilitação do consórcio entre a K-Infra e a Galápagos que havia levado a disputa.
Antes, a XP acumulou quatro derrotas em licitações rodoviárias realizadas desde 2023, incluindo do Rodoanel Norte e da Rota Agro, com foco no Sudeste e Centro-Oeste, de olho no potencial do agronegócio.
“Nós estávamos muito ativos. Estava muito difícil entrar em leilão de transmissão de energia, pelos retornos baixos. Na energia renovável, tem o problema do curtailment. Então acabamos indo mais, nessa diversificação setorial, para o transporte,” disse Machado.
“Agora, a sensação é que a competição aumentou (nas rodovias). Vamos olhar tudo que for a mercado, mas se tiver competição demais e retorno caindo, não vamos mais. Vamos olhar tudo de forma muito tática.”
Na Rota da Celulose, o investimento mais pesado será nos primeiros seis a sete anos, consumindo metade do capex total de R$ 6 bilhões. A XP pretende levantar recursos via empréstimo-ponte e debêntures, com possibilidade também de buscar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os governos estadual e federal haviam tentado leiloar o projeto no Mato Grosso do Sul no final de 2024, sem sucesso. Na ocasião, a XP não chegou a disputar.
“Estava muito desbalanceado. Aí eles melhoraram e achamos atratividade, entendemos que tinha um risco-retorno adequado”, disse Machado.
O consórcio da XP, que inclui algumas construtoras, já está iniciando obras emergenciais na concessão. A cobrança de pedágios, no modelo free flow, deve começar em 12 meses, após aprovação dos investimentos iniciais pela reguladora.











