Num movimento que exacerbou a angústia no mundo corporativo sobre o futuro dos empregos na era da AI, a Block demitiu 4.000 funcionários – 40% do headcount – dizendo que “uma equipe significativamente menor, usando as ferramentas que estamos desenvolvendo, pode fazer mais e melhor.”

A explicação foi dada por Jack Dorsey, o cofundador e chairman da empresa de pagamentos, que disse que “as ferramentas de inteligência mudaram o significado de construir e administrar uma companhia.”

O mercado aplaudiu de pé a troca do homem pela máquina.

A ação disparou 17%, revertendo a tendência de queda acelerada nos 30 dias anteriores, quando o papel acumulava queda de 20%.

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A Block é dona da Square e da CashApp, duas fintechs de pagamentos com opções também de transações em bitcoin, e da Afterpay, um serviço de buy now pay later. A empresa também tem em caixa cerca de 8.000 bitcoins e o Tidal, um streaming de música.

Em um memorando para a equipe da Block, Dorsey disse que tinha duas opções: reduzir o número de colaboradores gradualmente ou “ser honesto sobre onde estamos e agir agora”.

Decidiu que seria melhor agir agressivamente. “Rodadas de cortes são destrutivas para o moral, para o foco e para a confiança que clientes e acionistas depositam em nossa capacidade de liderar.”

Segundo o Wall Street Journal, Dorsey disse a analistas que “ao longo do próximo ano, a maioria das empresas chegará à mesma conclusão e fará mudanças estruturais semelhantes.”

“Não acho que estejamos adiantados nessa constatação,” disse o executivo. “Acho que a maioria das empresas está atrasada.”

A Block bateu as estimativas no quarto tri, com faturamento de US$ 6,25 bilhões. O destaque foi a Cash App, com alta de 33% no lucro bruto, impulsionado pelo crescimento dos empréstimos.

A companhia é uma das que apostam fortemente em impulsionar as operações financeiras por meio da infraestrutura de blockchain. Dorsey já definiu a estratégia como sendo a de “maximizar o bitcoin.”

Com a alta de hoje, o market cap foi a US$ 39 bi.