A Guararapes reportou mais um trimestre de expansão das vendas e da margem bruta — seu décimo consecutivo – e entregou números que superaram as projeções dos analistas.
A dona das Lojas Riachuelo, Casa Riachuelo, Carters e Fanlab cresceu sua receita líquida em 6% no trimestre para R$ 3,2 bilhões. O EBITDA foi de R$ 660 milhões e o lucro líquido veio em R$ 322 milhões — uma expansão de 20% e 28%, respectivamente.
A receita veio em linha com o consenso do sellside, mas o EBITDA e o lucro superaram as expectativas dos analistas. A média dos analistas que cobrem a empresa era um EBITDA de R$ 627 milhões e um lucro de R$ 264 milhões.
Na XP, Danniela Eiger projetava um lucro de R$ 224 milhões; no Bradesco BBI, Pedro Pinto falava em R$ 274 milhões.
O CEO André Farber disse ao Brazil Journal que o resultado do tri e do ano marca uma virada da Guararapes para um negócio de forte crescimento e com margens saudáveis.

“Foi um ano muito importante que marcou a volta de resultados muito bons para a companhia, depois de anos que foram difíceis,” disse ele.
O CEO destacou o ‘same-store sales’ de vestuário, que subiu 7,2% no trimestre em cima de uma base comparativa forte, já que no quarto tri de 2024 tinha crescido 14,8%; e a margem bruta de vestuários, que atingiu 57,8%, um crescimento de 2,9 pontos percentuais ano contra ano.
“Essa combinação de forte crescimento com expansão da margem gerou um resultado muito robusto, com o EBITDA crescendo forte e o lucro também,” disse ele.
No consolidado do ano, a Guararapes reportou um lucro de R$ 512 milhões, mais que o dobro dos R$ 235 milhões de 2024. Em 2023, a companhia havia dado um prejuízo de R$ 34 milhões.
Apesar das melhorias relevantes, o CEO disse que a companhia ainda não terminou o processo de aceleração do crescimento e aumento de margens.
“Continuamos trabalhando muito forte nas alavancas de margem, que são o melhor uso das fábricas, com operações mais otimizadas; uma precificação mais inteligente, que garante mais margens; e um melhor planejamento de coleções, que garante menos demarcações e também aumenta a rentabilidade,” disse ele.
Para melhorar a margem, a Guararapes também tem reduzido sua presença em algumas categorias com menor rentabilidade, como a de tecnologia (principalmente smartphones) e de produtos para casa.
“Nosso plano é focar cada vez mais em vestuário, que já é mais de 80% da companhia, e diminuir a importância dessas outras categorias. Isso gera um impacto na receita no curto prazo, mas ajuda nas margens.”
Sobre as expectativas para 2026, Farber disse que está otimista, já que as alavancas de margens devem continuar rendendo frutos e o ambiente macro tende a beneficiar a companhia.
Anos eleitorais historicamente são positivos para o setor de moda, já que há um aumento nos gastos públicos, o que gera um aumento no consumo das famílias, disse o CEO. Outro fator que tende a ajudar é a provável queda dos juros.
“Mas estamos muito atentos a qualquer cenário. Fizemos um orçamento para o ano com um range bem grande. Se o ano não for tão bom por algum motivo externo estamos preparados. Mas se o ano for bom, também temos bastante flexibilidade para investir mais.”
O ano passado marcou o retorno das aberturas de lojas da Guararapes. Depois de abrir apenas uma loja em 2024, a companhia abriu oito novos pontos de venda no segundo semestre de 2025. Para este ano, o CEO disse que o plano é pisar no acelerador, abrindo de 15 a 20 lojas no ano.
A Guararapes vale perto de R$ 5 bilhões na B3, com sua ação subindo 52% nos últimos doze meses, em linha com a alta do Ibovespa, de 49%.
O papel negocia a cerca de 9,5x seu lucro estimado para este ano.











