Muda o jogo de forças na Estácio.
 
O Advent aumentou sua participação na companhia para 8,7%, enquanto o empresário Chaim Zaher — até ontem o terceiro maior acionista individual, depois do Oppenheimer e da Fidelity — reduziu sua participação de 9,7% para 3,5%.
 
Por enquanto, o Advent tem conseguido aumentar sua participação discretamente, fazendo suas compras por meio de um veículo chamado FIP Rose Multiestratégia.
 
Mas atas públicas do Rose revelam que ao menos dois officers do veículo — Mario Malta e Rafael Patury — são funcionários do Advent em São Paulo.
 
A mudança nas posições da gestora de private equity e de Chaim acontece horas depois do empresário enviar uma carta ao conselho da Estácio reclamando de uma proposta que dificulta a tomada de controle da empresa.
 
O conselho da Estácio, liderado por João Cox, quer incluir no estatuto da companhia a obrigatoriedade de um prêmio de 30% em ofertas de controle.
 
Uma ‘poison pill’ já existente no estatuto da Estácio obriga acionistas que atingirem 20% do capital da companhia a fazer uma oferta a todos os outros acionistas.
 
Chaim contesta esta proposta.  Na carta enviada ao conselho, revelada hoje pela repórter Beth Koike, ele afirma que a proposta cria “uma barreira antieconômica ao investimento na companhia.” Redigida pelo advogado Marcelo Trindade, a carta também critica a proposta de criação de um comitê de estratégia de quatro membros, que, na visão de Chaim, seria “um poder paralelo ao do conselho.”
 
As posições da Advent e de Chaim são relativas ao fechamento de ontem e foram publicadas hoje.  Nesta quinta, no entanto, a ação da Estácio movimentou 3,5 vezes seu volume médio, o que sugere que o Advent pode ter avançado ainda mais, e que Chaim pode ter zerado sua posição.