A Equatorial Energia vendeu todos os seus ativos de transmissão de energia — levantando quase R$ 10 bilhões para desalavancar seu balanço e investir em novos projetos.
O comprador foi o fundo de pensão canadense CDPQ, que fez a transação por meio de sua subsidiária Verene Energia.
A Verene já opera no Brasil desde 2022, e é dona de linhas de transmissão no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais. Também opera uma linha menor no Uruguai.
O enterprise value da transação foi de R$ 9,39 bilhões, com o equity value calculado em R$ 5,18 bilhão. A Equatorial disse que os ativos carregam uma dívida líquida de R$ 2,8 bilhões, que será ajustada por dividendos e redução de capital.
Antes da venda, a vertical de transmissão da Equatorial distribuiu R$ 1,5 bilhão em dividendos e redução de capital, já refletidos no EV.
O equity value será corrigido pelo CDI até o fechamento da operação.
As linhas de transmissão objeto da venda foram adquiridas em 2016 e 2017 em alguns dos melhores leilões da história recente do País. Esses ativos fazem um EBITDA de cerca de R$ 1,1 bilhão por ano, com a venda saindo a um EV/EBITDA de 8x.
“A TIR nominal da Equatorial no segmento de transmissão foi de impressionantes 43% em 8 anos, com um MOIC de 8x,” escreveu o analista Antônio Junqueira, do BTG Pactual, que comparou os ativos de transmissão a “um Monet pendurado na parede” — um ativo que vale muito, tem liquidez imediata, e que a empresa poderia vender a um bom preço a hora que quisesse.
Para a Equatorial, esse dia chegou, depois que a empresa investiu R$ 7 bilhões no ano passado para comprar 15% da Sabesp. A aposta em saneamento – inédita para a companhia – fez a alavancagem subir para 3,3x EBITDA no final de 2024.
A venda anunciada agora deve reduzir a alavancagem em 0,45x e – o mais importante – mitiga um dos grandes temores dos investidores: o de que a companhia fosse obrigada a fazer um follow-on, gerando uma diluição amarga num momento em que o preço da ação está deprimido.
“Fizemos um negócio da China,” o CEO Augusto Miranda disse ao Brazil Journal no sábado à noite. “O negócio é comprar bem, vender bem e estar preparado para as oportunidades.” Nos últimos anos, além da Sabesp a Equatorial comprou a Echoenergia e a CELG (a distribuidora de Goiás), investimentos entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões de EV.
“Olha o que aconteceu em Goiás, que apareceu de uma hora para outra e a gente aproveitou: quando você ajusta a sua alavancagem, você fica preparado e não precisa diluir o seu acionista,” disse Augusto.
Com o balanço da Equatorial mais redondo, o CEO citou como oportunidades de alocação de capital a recompra de ações da empresa, os ativos de saneamento que estão vindo ao mercado nos próximos anos e investimentos em distribuição com retornos mais altos.
O BTG Pactual assessorou a Equatorial, que teve a assessoria jurídica do Stocche Forbes Advogados.
A Equatorial vale R$ 41 bilhões na B3, com sua ação andando de lado nos últimos doze meses, e negocia a uma TIR real de cerca de 12%.