A Equatorial Energia pretende levantar até R$ 2,6 bilhões em uma oferta de ações que ajudará a reduzir sua alavancagem depois da compra da Echoenergia – e vai deixá-la pronta para novas aquisições. 

A oferta-base será de 87,7 milhões de ações – o equivalente a R$ 1,9 bi na cotação de ontem – mas a empresa pode levantar mais R$ 665 milhões com o hot issue. O roadshow começa hoje, com o pricing marcado para 8 de fevereiro.

Os coordenadores são Credit Suisse, Citi, UBS, XP e Goldman Sachs. 

A Equatorial não quer correr o risco de ficar alavancada num ano em que a Aneel deve organizar cinco leilões de ativos.

Analistas estimam que a companhia deve fechar o primeiro trimestre de 2022 com uma dívida líquida de 4xEBITDA, mas com a geração de caixa, o número cairia para 3,5x no final do ano. 

A oferta – numa janela inesperada de mercado que abriu há poucos dias – só é possível graças ao histórico de turnarounds e a reputação de execução da companhia.

Em outubro, a Equatorial comprou a Echoenergia do fundo de private equity Actis, pagando R$ 6,15 bilhões pelos parques operacionais e outros R$ 500 milhões pelo pipeline de projetos, além de assumir R$ 2,9 bilhões em dívidas. 

Logo depois, em meados de novembro, captou R$ 2 bilhões em debêntures.

“A compra da Echoenergia foi uma operação muito grande e piorou o leverage da empresa. Então, se aparecer outra oportunidade amanhã, provavelmente eles não conseguiriam fechar um M&A porque estourariam covenants,” diz uma fonte. 

Segundo outra fonte, “a empresa avalia que o mercado de dívida pode fechar neste ano eleitoral e quer ter balanço para novos projetos que está analisando.”  As oportunidades estão em saneamento, transmissão e renováveis. 

No pregão de quarta-feira, a ação da Equatorial fechou a R$ 22,16, – o mesmo patamar de três anos atrás – dando à companhia um valor de mercado de R$ 22,2 bilhões.