Cuba acaba de derrubar todas as proibições aos investimentos estrangeiros e quer atrair o dinheiro de seus exilados – inclusive os que vivem nos EUA.

“Não haverá limitações,” anunciou Oscar Pérez-Oliva Fraga, o vice-primeiro-ministro e ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro.

Pela primeira vez desde a revolução, cubanos residentes no exterior poderão adquirir participação em empresas privadas. A nova lei também permitirá que exilados e estrangeiros abram instituições financeiras.

A decisão de dar fim às proibições de investimentos de empresas americanas e de outros países ocorreu dias depois de Miguel Díaz-Canel, o presidente de Cuba e herdeiro político dos irmãos Castro, ter admitido publicamente que vem mantendo negociações com autoridades do Governo Trump.

Sem combustível e vivendo apagões diários, Cuba vem procurando maneiras de mitigar a crise – em um momento de choque no preço do petróleo por causa da guerra do Irã.

Em 2021, o país comunista permitiu que seus moradores pudessem abrir negócios particulares. Mas os cubanos vivendo no exterior continuavam proibidos de fazer investimentos no país.

A nova mudança foi recebida como mais um passo na lenta abertura cubana, mas deve ter efeito limitado.

Em primeiro lugar, porque os EUA ainda mantêm restrições aos investimentos no país, apesar da flexibilização feita no Governo Obama. Além disso, potenciais investidores estrangeiros temem a insegurança jurídica e institucional de colocar dinheiro na ilha.

Paolo Spadoni, um economista da Universidade de Augusta e autor do livro A Economia Socialista de Cuba Hoje, afirmou à Reuters que a reforma foi “pragmática” e “potencialmente impactante.”

“Pode ser um catalisador para laços econômicos mais profundos entre EUA e Cuba, criando oportunidades significativas para empresas americanas, embora ainda existam grandes obstáculos,” disse o economista.

Na segunda-feira, o ministro Pérez-Oliva Fraga deu uma entrevista à rede americana NBC e disse que os exilados poderão “participar plenamente nas diversas áreas do desenvolvimento do país.” A prioridade será a produção agrícola.

“As portas estão abertas para investimentos da comunidade cubana no exterior,” afirmou. “Quando dizemos isso, não nos referimos apenas a pequenos empreendimentos. Também nos referimos à possibilidade de investir em projetos de maior porte.”

Segundo o New York Times, uma fonte que participa das negociações recentes entre Washington e Havana afirmou que o Governo Trump avalia se as mudanças anunciadas não serão apenas “cosméticas” antes de decidir se emitirá licenças que permitam investimentos na ilha.

Desde a revolução comunista de 1959, mais de 1 milhão de cubanos deixaram a ilha.

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