O elefante no meio da sala do mercado imobiliário corporativo tem nome e sobrenome: WeWork.

A empresa deixou de pagar vários alugueis referentes a março e está pedindo descontos substanciais em outros.  A companhia também quer sair de alguns imóveis, mas esbarra em multas rescisórias pesadas.

A corretora Newmark está fazendo a negociação com os proprietários locais, e todas as decisões de aluguel estão sendo tomadas pelo time global em Nova York.

Como o WeWork só trabalha em pontos nobres, a lista de proprietários é um who’s-who do mercado imobiliário comercial: São Carlos, Helbor, Brookfield, HSI, Idea Zarvos, Vinci e XP, entre outros.

Para acalmar os proprietários, o WeWork diz que o pós-pandemia “vai trazer muita migração de empresas para os espaços de coworking”.  É uma boa tese, mas os proprietários preferem cash.

Segundo o site da empresa, o WeWork opera em 33 edifícios no Brasil.

O WeWork disse ao Brazil Journal que “a empresa tem conversado individualmente e de maneira constante com seus mais de 600 proprietários parceiros no mundo para trabalhar conjuntamente na procura de soluções específicas para cada ativo.”

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São Paulo vai reabrir.  Devagarzinho mas vai.

Já o Banco Central começou a sinalizar, desde segunda-feira, que vem mais corte na Selic por aí, fazendo toda a curva de juros fechar. (No preço agora: um corte de 0,75 ponto em maio.)

Resultado: consumo e varejo explodiram na Bolsa.  B2W decolou 17%, Via Varejo, 12% e Pão de Açúcar, 8,8%.

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No caso da B2W, ajudaram também as teleconferências que a empresa fez na XP e no BTG, e um relatório do HSBC, onde o analista Ravi Jain tirou o papel de ‘hold’ para ‘buy’ e aumentou o preço-alvo de R$ 49,50 para R$ 83.

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Fique em casa, mas tem IPO indo pra rua.

A Allpark, dona da rede de estacionamentos Estapar, quer levantar R$ 350 milhões numa oferta 100% primária.  A Estapar precisa financiar um capex de R$ 636 milhões da concessão de 15 anos do Zona Azul de São Paulo, que ganhou em dezembro.

Complementando os recursos da oferta, um pool de bancos deve dar crédito à empresa.

O pricing está marcado para 13 de maio, e os coordenadores são BTG Pactual (líder e acionista da companhia), Bradesco BBI, Santander e Banco do Brasil.

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The market has spoken: no primeiro pregão depois da desistência da Eneva, a AES Tietê caiu 5,6%.  A Eneva, 1%. 

Para depreciar a Eneva, executivos da Tietê passaram os últimos dias dizendo a investidores que “carvão vale zero,” e que a AES entende do assunto porque tem ativos de carvão no mundo.

O carinho é retribuído na mesma moeda.

“Na Tietê, os acionistas estão amarrados a uma empresa que não gera valor faz tempo e está capturada pelos executivos,” diz um gestor comprado em Eneva.

Nos últimos 10 anos, a ação da Tietê subiu 96% contra 162% do índice do setor elétrico, que inclui empresas estatais. 

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Uma pesquisa feita pela corretora State Street junto a gestores americanos mostra que 69% deles esperam que o S&P 500 volte às mínimas recentes antes de atingir novas máximas. The fat lady has not sung yet.

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A privatização da Eletrobras, antes prevista para outubro, ficou para o segundo trimestre de 2021, mas Salim Mattar disse que o Congresso deve aprovar ainda este ano o PL que permite a venda. 

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Ray Dalio acha que a pandemia — apesar de devastadora — pode ser um ponto de virada da história, abrindo caminho para um maior progresso social.

Numa entrevista ao LinkedIn, o fundador da Bridgewater disse que, em comparação com outros períodos de dificuldade econômica, como a Grande Depressão, a crise atual será “relativamente breve” e vai permitir “uma reestruturação global ampla” que pode durar de três a cinco anos.

“Eu sei que é bastante tempo, mas não é para sempre. A capacidade humana de se adaptar, inventar e sair disso é muito grande.”

Dalio disse ainda que as pessoas deveriam estar “muito animadas” com o pós-crise, com avanços na digitalização, no uso de dados e no conhecimento humano.

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Com o mundo sem planos pra viajar, a Expedia — dona dos sites Orbitz e Travelocity — vai precisar de capital. 

Mas quando você é Barry Diller, o controlador da Expedia, você liga para seus amigos em private equity em vez de bater na porta do mercado.

Segundo o The Wall Street Journal, Diller está em conversas avançadas com o Silver Lake e o Apollo para botar US$ 1 bilhão no caixa.  (Diller, que controla a Expedia por meio de sua holding IAC, brigou com o CEO e o CFO da Expedia no final do ano e botou os dois na rua.)

Os dois fundos vão ganhar assentos no conselho, of course. A ação subiu 7%.

Em março, quando a crise começou, a Expedia levantou quase US$ 2 bilhões em linhas de crédito junto a seus bancos. 

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Um time representando a Poli-USP foi campeão das Américas do CFA Institute Research Challenge e ficou em segundo lugar na etapa mundial.

A competição envolveu mais de 6.400 estudantes de 1.100 faculdades de 98 países, e é a primeira vez em 11 anos que uma equipe brasileira chega à final.

O time venceu a etapa com uma tese de investimentos sobre a Raia Drogasil — recomendaram “hold”.  Para eles, a companhia vai se beneficiar do envelhecimento da população e tem lojas localizadas estrategicamente num negócio em que a conveniência é essencial. Mas o time considera o valuation “inflado, com todas as oportunidades já precificadas pelo mercado, deixando pouca margem de segurança para o investidor.”

Na foto abaixo, os campeões Henrique Aquino, João Bosco Herschander, Leonardo Lopes e Lucas Vilanova riem como se não houvesse crise.