O setor elétrico entrou em estado de alerta devido às chuvas bem abaixo do esperado, e especialistas já prevêem um forte aumento na conta de luz com a adoção da bandeira vermelha – um cenário que daria impulso adicional à ação da Eneva.
A equipe de analistas do Itaú BBA espera um “período de chuvas muito desafiador,” exigindo intenso acionamento das usinas da Eneva ao longo do ano e ampliando suas receitas.
De olho nesse cenário, e no leilão de capacidade marcado para abril, o banco colocou a Eneva como top pick do setor de utilities este ano.
A recomendação vem mesmo após a ação da empresa de geração, controlada pelo BTG e seus sócios, ter subido 91% em 2025.
Se os reservatórios das hidrelétricas não receberem bem mais água que o previsto hoje, a tarifa de energia terá a temida ‘bandeira vermelha nível 2’ por boa parte do segundo semestre, diversos consultores disseram ao Brazil Journal.
Isso significa um acréscimo de em média 13% nas faturas, ou R$ 7,87 para cada 100 kilowatts-hora em energia consumida, durante meses – um cenário que ainda não está nas projeções de inflação.
Citando que a “tendência é de continuidade de chuvas abaixo da média em grande parte do Brasil”, a Agência Nacional de Energia Elétrica acaba de criar um Gabinete de Acompanhamento das Condições do Sistema Interligado Nacional.
No ritmo atual, janeiro pode ter o menor volume de água chegando às hidrelétricas em quase 100 anos. Este é o limite inferior da projeção citada pela Aneel para decidir sobre o grupo de monitoramento.
No momento, a conta de luz tem bandeira tarifária verde, que não gera custos extras. A consultoria Thymos Energia diz que sua expectativa é que a falta de chuvas e o uso de mais térmicas leve ao acionamento da bandeira amarela em abril e maio, e vermelha nível 1 em junho.
A bandeira vermelha 2, a mais cara, viria de julho até novembro, voltando para ‘vermelha 1’ em dezembro.
Edvaldo Santana, um ex-diretor da Aneel, disse que a bandeira poderia ficar vermelha já em fevereiro, e entrar na vermelha nível 2 “de maio em diante” se as chuvas frustradas de janeiro não forem compensadas nos próximos meses.
Num post no Linkedin, Santana avaliou o monitoramento criado pela ANEEL como “um eufemismo para Gabinete de Crise”, e fez referência à época em que o Brasil enfrentou um racionamento.
“Por alguma razão, lembrei de março de 2001, quando a ANEEL criou o correspondente ao ´gabinete de acompanhamento´. Eu fazia parte do tal ´gabinete´. Na época, era proibido falar em crise. Deu no que deu.”
Hoje, o ex-diretor da ANEEL elogia a maior transparência, com a divulgação pública de projeções para os reservatórios. E faz a ressalva de que é preciso “calma”, pois as chuvas ainda podem vir. Mas diz que “não é desprezível” o risco de repetição – não de 2001, mas de 2021.
Naquele ano, o País viveu uma crise hídrica histórica. Embora sem racionamento, a situação exigiu medidas como a criação de uma bandeira tarifária adicional, ainda mais cara que a vermelha 2, para pagar os custos das termelétricas que sustentaram o sistema.











