Grandes escritórios de advocacia dos EUA entraram na mira de Donald Trump.
O Governo ameaça retaliar firmas que tenham entrado com ações questionando políticas do Presidente dos EUA – mas estão na mira também advogados que no passado trabalharam em processos contra Trump.
No memorando Preventing abuses of the legal system and the Federal Court, a Casa Branca autorizou que o Procurador-Geral e o Department of Homeland Security apliquem sanções a advogados que abram processos considerados “frívolos” contra o Governo.
Por meio de ordens executivas, Trump suspendeu a autorização para alguns advogados entrarem em repartições federais e colocou contratos sob revisão. Até mesmo os clientes desses escritórios podem ser alvos de represálias.
Numa demonstração de um evidente conflito de interesses, foram atingidos cinco escritórios que, no passado, estiveram envolvidos direta ou indiretamente em ações contra Trump.
Um exemplo foi o escritório Paul Weiss, que tem em sua equipe um advogado que trabalhou na promotoria de Manhattan e participou da construção de processos que buscavam a condenação criminal de Trump.
O Perkins Coie, outro escritório no alvo de Trump, representou a campanha de Hillary Clinton em 2016 e ajudou a preparar um dossiê contra o republicano.
O Covington & Burling fez um trabalho pro bono para o special counsel (promotor especial) Jack Smith, que indiciou Trump por sua tentativa de se manter ilegalmente no poder após perder a eleição de 2020.
Ao serem impedidos de entrar nos escritórios federais, os advogados afirmam que ficam com a sua atuação prejudicada na defesa dos clientes.
Grandes escritórios com atuação em Washington estão se vendo obrigados a fazer acordos com a Casa Branca para não caírem na black list.
Segundo a NBC, o chair do Paul Weiss, Brad Karp, foi criticado por haver cedido à pressão e ter negociado com o Governo.
“A ordem executiva poderia ter facilmente destruído nossa firma,” Karp escreveu numa mensagem interna que acabou sendo vazada. “Ela ameaçava nossos clientes com a perda de contratos no Governo se eles continuassem a usar nossa firma.”
O escritório ‘aceitou’ prover o equivalente a US$ 40 milhões em serviços legais na defesa de causas defendidas por Trump.
Já o Perkins Coie foi à Justiça contra Trump.
Steve Bannon, o antigo estrategista do Presidente, disse que o objetivo da Casa Branca é levar à bancarrota os escritórios que o Governo considera adversários.
“Trump vai colocar essas firmas out of business,” disse Bannon.
Um grupo de 20 organizações civis condenou o memorando do Governo.
A Casa Branca rebateu dizendo que Trump está cumprindo sua promessa de “assegurar que o sistema legal não seja usado como uma arma contra o povo americano.”