O Grupo Carso, o conglomerado de Carlos Slim, acaba de chegar a um acordo para comprar a participação da russa Lukoil em dois campos de petróleo no México. Só falta combinar com o Tesouro dos Estados Unidos.
Ao anunciar o negócio, avaliado em US$ 600 milhões, o Grupo Carso pontuou que precisa do aval direto do Office of Foreign Assets Control dos EUA para concluir a transação, devido às sanções americanas sobre a Lukoil.

Desde as sanções à Rússia pela guerra com a Ucrânia, a Lukoil busca vender ativos internacionais que incluem de campos no Oriente Médio a refinarias e postos de gasolina no Leste Europeu.
A trading Gunvor chegou a fazer uma oferta em outubro, logo após a Lukoil também ser sancionada. Mas a proposta foi retirada logo em seguida, após uma bronca pública do Tesouro americano numa publicação no X.
Na época, a Gunvor, que tem como um dos fundadores Gennady Timchenko, um antigo aliado do presidente russo, foi chamada pelo OFAC de “marionete de Putin”.
Especialistas alertaram que a Gunvor poderia sofrer um dano reputacional com a disputa. Pouco depois, o Santander retirou um financiamento à trading. O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, elogiou a decisão do banco, descrevendo-a como um “bom exemplo.”
No caso do grupo de Slim, a aquisição mira 50% dos campos de Ichalkil & Pokoch, em águas rasas em Campeche, na costa oeste do México. A Lukoil é a operadora dos ativos, nos quais é sócia do próprio Grupo Carso, que tem os 50% restantes.
A transação envolve US$ 270 milhões pela subsidiária da Lukoil que opera o campo, mais US$ 330 milhões em dívidas da empresa com a Lukoil.
Os ativos mexicanos representam apenas uma pequena fração dos negócios internacionais da Lukoil, avaliados em US$ 22 bilhões.
Embora não possa ser associado a Putin, como a Gunvor, Slim já foi criticado por Trump, acusado de atuar para favorecer Hillary Clinton na cobertura do The New York Times, do qual é acionista.
Mais tarde, os dois se aproximaram em um jantar, e Slim disse que Trump “não é um exterminador, é um negociador.”
Agora, resta ver se Trump vai exterminar ou manter o negócio do mexicano.











