A Berkshire Hathaway revelou esta semana uma posição de 11% na HP, a segunda maior fabricante de computadores do mundo, atrás apenas da Lenovo.

O investimento transformou a empresa de Warren Buffett no maior acionista da HP e fez do investimento a segunda maior posição em tecnologia da Berkshire, depois da Apple.

Dada a relevância da posição, o Morgan Stanley tentou entender os motivos que levaram a Berkshire a alocar US$ 4,2 bilhões na HP.

Para o banco, o investimento é uma “aposta de longo prazo de que a HP vai se tornar uma vencedora no mercado de trabalho híbrido, dada sua posição como líder global na venda de impressoras, a segunda maior na venda de PCs e a terceira maior na venda de enterprise headsets e sistemas de videoconferência (assumindo que a compra da Plantronics seja aprovada).”

Para o Morgan Stanley, a compra também vai ao encontro da filosofia de value investing e da visão de Buffett de buscar empresas com forte geração de caixa. 

O Morgan diz que a HP está barata em relação aos peers, negociando a 9x o lucro estimado para este ano; paga um dividendo “saudável” – dividend yield de 3% – e tem planos de retornar 100% de seu fluxo de caixa livre aos acionistas, estimado em US$ 4,5 bilhões para este ano. A companhia também tem um guidance de crescimento de receita para os próximos três anos de ‘low single digits’

Apesar destes fundamentos, o Morgan Stanley acha que Buffett errou. 

Os analistas do banco mantiveram a recomendação de underweight para a ação, com um preço-alvo de US$ 31. O papel negocia a US$ 38.

“Continuamos acreditando que estamos entrando num ciclo negativo para o mercado de PCs, que historicamente tem uma correlação forte com uma compressão de múltiplos da HP e uma performance abaixo do mercado da ação.”

Os analistas também lembram que a Berkshire fez um investimento similar em 2011, quando comprou IBM com a tese de que a empresa tinha barreiras de entrada e um pricing power que não estavam precificados. 

Em 2018, a Berkshire vendeu a posição de IBM depois da receita declinar a um CAGR de 4,5% ao ano e da ação cair 23% no período, perdendo dos índices. 

“Apontamos para esse exemplo não para questionar as proezas de investimento de Buffett, mas para destacar o que acreditamos que são teses de investimento similares.”