O Bradesco se tornou a segunda corretora a recomendar a compra das ações da B2W, mesmo depois do papel ter subido 240% nos últimos 12 meses.

Dos 18 analistas que cobrem a B2W, dona do Submarino e da Americanas.com, nove recomendam a venda da ação (e estiveram errados no último ano), oito recomendam manutenção e apenas 1 (Fabio Monteiro, do BTG Pactual) recomendava a compra até agora, mas com um preço-alvo envergonhado de 21 reais por ação, bem abaixo de onde o papel negocia.

Os analistas do Bradesco, Ricardo Boiati e Pedro Bueno, listam quatro motivos para a B2W continuar performando bem: a ação ainda negocia a um múltiplo abaixo das empresas equivalentes globais; as melhorias operacionais estão apenas começando a aparecer nos resultados da empresa; sua posição competitiva melhorou; e ainda há um crescimento relevante do ecommerce no Brasil que deve beneficiar a B2W.

Os riscos para a empresa, de acordo com Boiati e Bueno: primeiro, o fluxo de caixa da B2W deve continuar negativo por algum tempo, mas ela agora tem um colchão de liquidez depois do recente aumento de capital e de um daqueles gordos e benevolentes empréstimos do BNDES . Segundo, o ambiente competitivo pode piorar, especialmente com a entrada da Amazon no mercado brasileiro , mas os analistas acham que as melhoras estruturais implementadas pela B2W contribuem para que ela se saia bem, mesmo neste cenário.

O novo preço-alvo do Bradesco para B2W é 51,60 reais. A ação negocia a 38,30, em alta de 5% hoje.

Só o tempo vai dizer se Boiati e Bueno estão certos ou errados na recomendação, mas, num mercado em que os analistas frequentemente preferem errar juntos a acertar sozinhos (e em que muitos bancos interferem no conteúdo dos relatórios), não se deve subestimar a coragem necessária para se recomendar uma ‘compra’ a esta altura do campeonato.