Ontem à noite, com o mercado já fechado, o BNDES pediu propostas a cinco bancos para vender sua participação na Vale: um caminhão de ações equivalente a 2,5% do capital da mineradora. 

Goldman Sachs, JP Morgan, Bank of America, Credit Suisse e Bradesco tinham que fazer uma oferta firme com o menor desconto possível em relação ao preço do fechamento do papel. (Qualquer upside em relação ao preço ofertado seria dividido entre o BNDES e o vencedor numa razão pré-definida.)

Os bancos tinham pouco tempo para responder: o leilão começaria na abertura do mercado. O Bank of America levou o negócio, oferecendo o preço de R$ 58,76, um desconto de apenas 2,5% em relação ao fechamento de R$ 60,26. 

O leilão começou com o BNDES ofertando 100 milhões de ações, com a possibilidade de vender outras 35 milhões se houvesse demanda. 

Investidores dos Estados Unidos e Brasil (e em menor escala da Europa e Ásia) começaram a enviar ordens no preço mínimo e, quando a demanda ultrapassou 135 milhões de ações, o BNDES botou o resto do lote na mesa. 

Às 11:40 hs, the deal was done. O mercado foi pagando para cima, e no final o banco vendeu todo o lote no mesmo preço do fechamento de ontem — ou seja, desconto zero, e apenas 5% abaixo do all-time high da companhia  — num dia em que o índice caía 2,5%. 

O BNDES levantou R$ 8,14 bilhões no que foi o maior block trade do mercado de capitais brasileiro. (O segundo maior foi a venda de R$ 2,7 bilhões em ações da Sul América pela Swiss Re no ano passado, executada pelo JP Morgan).

O bloco de hoje sublinha a liquidez da Vale em particular e dos mercados como um todo, e pode — deve — aguçar o apetite de potenciais vendedores de outros nomes.

Para os bancos que ficaram de fora, calma: o BNDES ainda tem 195 milhões de ações da Vale (cerca de R$ 12 bilhões a preços de hoje). O banco tem um lockup de 90 dias, o que significa que uma nova oferta só poderá vir em meados de novembro. O acordo de acionistas da Vale expira em 9/11, liberando boa parte das ações atuais.

Os desinvestimentos do banco na gestão Gustavo Montezano já chegam a R$ 35 bilhões, incluindo a venda da participação na AES Tietê.