Empresas do setor elétrico estão arrumando as velas para navegar em um mercado com preços de energia mais voláteis.
E algumas delas já vislumbram ganhos nesse ambiente – com a visão de que ele veio para ficar.
Os preços no mercado spot de eletricidade, para vendas à vista, têm variação horária desde 2021. Mas a diferença de valores ao longo do dia tem aumentado pela maior presença de usinas eólicas e solares, cuja produção está sujeita a fortes variações com o sol e o vento.
“O preço tem se tornado muito volátil por esses elementos. E também porque temos visto uma frequência de eventos climáticos extremos muito grandes,” disse o CEO da AXIA, Ivan Monteiro.
“Também nunca vi fazer frio no Rio de Janeiro em dezembro. Então isso veio para ficar,” disse Ivan, aos risos, durante o Latin America Investment Conference, evento anual do UBS em São Paulo.
Alinhada à mesma visão de que esta é a “nova realidade,” a Copel está ajustando a estratégia e quer deixar mais energia descontratada para vender no mercado spot.
“Aí você pode aproveitar as arbitragens que essa volatilidade de preços traz,” disse o CEO Daniel Slaviero no mesmo evento do UBS.
Ao deixar de vender parte de sua energia em contratos de longo prazo, com preço fixo, para privilegiar as vendas spot, as elétricas também assumem riscos como a falta de previsibilidade e eventuais quedas do preço.
“Por isso uma característica que entendemos ser muito positiva, no nosso caso, é ser uma empresa integrada, com um braço relevante de geração, transmissão, distribuição,” disse Slaviero. “Permite ser um pouco mais arrojado para tentar buscar essas oportunidades de preço que temos visto no setor.”
A Copel também tem mantido mais energia descontratada para ter um hedge maior contra riscos de frustração de geração hidrelétrica em meio a chuvas abaixo do previsto este ano, segundo o CEO.
Ivan, da AXIA, não comentou sua estratégia de comercialização, mas fontes de mercado disseram ao Brazil Journal que a empresa está evitando vendas de contratos mais longos, por ver mais ganhos com as vendas no curto prazo.
A AXIA é a empresa com mais energia descontratada no momento, com 20% do volume livre para 2026 e 36% para 2027. A Copel é a segunda, com 15% em 2026 e 26% em 2027, segundo levantamento recente da XP.
Ao não fechar contratos mais longos, as elétricas também podem se beneficiar se os preços subirem ainda mais nos próximos anos – uma visão que parte do mercado passou a adotar.
A demanda de data centers, que tem impulsionado o consumo de eletricidade nos Estados Unidos após décadas de baixo crescimento, pode ser um fator de impulso também para os preços de energia no Brasil, avaliou o CEO da geradora renovável Casa dos Ventos, Lucas Araripe.
“Nós mesmos estamos desenvolvendo projetos (para fornecer energia a data centers) com gigawatts. Então vemos, estruturalmente, uma alta de preços, talvez pensando no médio e longo prazo.”











