A Amazon está pagando US$ 11,6 bilhões pela empresa de satélites Globalstar, ampliando a sua aposta na Leo, uma subsidiária criada para desafiar a liderança da Starlink, de Elon Musk.
Pelo acordo, a Amazon vai adquirir não apenas as operações e a infraestrutura existente da Globalstar, mas também algumas licenças internacionais de espectro para comunicação via satélite.
Com os ativos da Globalstar, a Amazon ganha escala para a sua nova empreitada, a Leo – uma empresa de telecomunicação com serviços semelhantes ao da Starlink, que oferece internet via satélite em qualquer canto do planeta.
“LEO” é também a sigla para low earth orbit, onde se situam os satélites dessas companhias.

A Leo, que deverá iniciar os seus serviços de direct-to-device (D2D) em 2028, fica no guarda-chuva da Amazon e não faz parte da Blue Origin, a startup de viagem espacial criada por Jeff Bezos.
Até o momento, o mercado é dominado pela SpaceX, a controladora da Starlink. O negócio é a joia da coroa da startup aeroespacial de Musk, que deverá fazer o seu aguardado IPO este ano mirando um valuation de US$ 1,7 trilhão.
A Amazon está oferecendo aos acionistas da Globalstar US$ 90 em dinheiro por ação ou 0,32 ação da Amazon.
Isso representa um prêmio de 117% em relação ao preço das ações da Globalstar no final de outubro, antes de a Bloomberg noticiar que a empresa estava explorando uma possível venda.
A expectativa é que o negócio seja concluído em 2027.
Esta é a maior aquisição da Amazon desde a compra da rede de varejo Whole Foods, em 2017, por US$ 13,7 bi.
O papel da Globalstar sobe quase 10% hoje, cotado ligeiramente abaixo de US$ 80. A Amazon tem alta de 4%.
A Globalstar reportou uma receita de US$ 273 milhões no ano passado, um aumento de 9% em relação a 2024. O lucro operacional ficou em US$ 7,4 milhões, ante um pequeno prejuízo no ano anterior.
Segundo o Financial Times, um fator que complicou as negociações foi a participação de 20% da Apple na Globalstar. Como parte do acordo, a Amazon concordou que a Leo forneça suporte ao serviço de satélite presente em iPhones e Apple Watches, incluindo o serviço de SOS.
A Leo dispõe atualmente de aproximadamente 200 satélites e obteve autorizações para lançar outros 7.000 – mas vem enfrentando atrasos em seus planos de implantação de satélites.
Em janeiro, solicitou à Federal Communications Commission (FCC) mais tempo para cumprir o prazo que exige o lançamento de aproximadamente 1.600 satélites até julho de 2026.
Já a ‘constelação’ da SpaceX conta com cerca de 10.000 unidades operacionais, sendo que cerca de 750 são usados nos serviços de D2D. Apenas em 2026, foram colocados em órbita 1.000 novos satélites.
A Starlink tem 12 milhões de clientes e deverá faturar US$ 9 bilhões neste ano.

A divisão de satélites da Amazon fechou recentemente acordos com a Delta e JetBlue para fornecer serviço de Wi-Fi a bordo. A Starlink, por sua vez, possui diversos clientes ativos, incluindo a United, Southwest, British, Air France e Emirates.
Hoje a empresa de Musk praticamente não tem concorrentes.
O segundo maior player do mercado, a texana AST SpaceMobile, trabalha com um modelo de negócio diferente.
Ela possui satélites maiores do que os da SpaceX, mas em um menor número, e em vez de vender os serviços diretamente para os clientes finais, trabalha como fornecedora de operadoras de telefonia e internet, como T-Mobile e Verizon.
Seus satélites funcionam como ‘torres no espaço’ para preencher as áreas de sombra no sinal.
Em uma demonstração da força recente do setor, a AST SpaceMobile divulgou hoje um faturamento de US$ 70,9 milhões no quarto trimestre de 2025, cerca de 30% acima das estimativas dos analistas.
Não obstante, a ação da empresa recua 10% após a Amazon anunciar que também pretende trabalhar com operadoras de telefonia móvel.
A Amazon vale US$ 2,7 trilhões na Bolsa.
A Globalstar vale US$ 10,2 bi.
A AST vale US$ 33,7 bi.











