A Takeat (pronuncia-se teiquéti) — uma startup do Espírito do Santo que está tentando construir a ‘Toast brasileira’ — acaba de levantar uma rodada para escalar seu negócio nos próximos três anos. 

A Série A, de R$ 15 milhões, foi liderada pela DGF – a gestora brasileira focada em software que já investiu na RD Station e na Tractian – e teve a participação da Quartzo Capital, que faz a gestão do Fundo Soberano do Espírito Santo e já era investidora. 

Esta é a segunda rodada da Takeat, que havia levantado outro R$ 1,7 milhão com a Quartzo e investidores-anjo.

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Fundada em 2020, a Takeat nasceu de um projeto de TCC de Miguel Carvalho, que trabalhou anos como garçom antes de entrar na faculdade de engenharia civil na Universidade Federal do Espírito Santo.

Em seu TCC, ele decidiu analisar a diferença de performance entre uma hamburgueria 100% digitalizada e outra que não usava nenhum software. Implementou cinco softwares diferentes na hamburgueria de um amigo e viu que a performance melhorou substancialmente. 

“Mas dois meses depois fui falar de novo com o dono da hamburgueria e ele tinha parado de usar os softwares, porque disse que não entendia de tecnologia e que a mão de obra dele rotacionava muito e tinha um baixo conhecimento,” Miguel disse ao Brazil Journal.

“Fiquei com isso na cabeça e comecei a perceber que, para ter aderência dos restaurantes, todas as funcionalidades precisavam estar reunidas em um software só.”

Com este diagnóstico, Miguel largou seu trabalho numa consultoria e colocou a mão na massa. Ele e os co-fundadores Pedro Faro, Victor Brittes e Luiz Paulo desenvolveram um software com cinco verticais diferentes. 

A Takeat oferece desde a solução de ponto de venda (PDV) até uma solução de CRM, passando pelo delivery (com integração com os marketplaces e canais próprios), automação com tablets e QR Codes, e a parte financeira. 

A Takeat já atende 3 mil restaurantes, incluindo redes de franquias como a Sampa Burger e a The Waffle King, que pagam uma assinatura mensal que varia de R$ 150 a R$ 1,1 mil por restaurante, com o tíquete médio ficando em R$ 400. A receita mensal da startup é de cerca de R$ 1,2 milhão, e ela já está no breakeven desde 2024. 

Com a rodada, o plano dos fundadores é investir no comercial e marketing para escalar o negócio. A Takeat já está criando bases comerciais em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, está investindo mais em eventos e fechou uma parceria com a DDR, uma das maiores escolas para donos de restaurantes do Brasil.

Para este ano o plano é dobrar de tamanho, chegando a mais de 6 mil restaurantes. Para 2027, a meta é atingir 15 mil clientes em todo o Brasil. 

A Takeat opera num mercado gigantesco e ainda muito fragmentado: existem 1,1 milhão de restaurantes operando no País, dos quais 400 mil têm o perfil que a startup busca (mais de R$ 70 mil de faturamento por mês).

Os maiores players de software para restaurantes hoje são a Totvs, Linx e a Colibri, que tem essencialmente softwares de PDV, com algumas funcionalidades financeiras. 

Essas empresas juntas atendem cerca de 50 mil restaurantes, segundo a estimativa de Miguel. 

“O restante do mercado usa soluções locais de PDV, de players regionais, que não necessariamente são focados em restaurantes,” disse o fundador. “E quando os restaurantes querem incluir CRM, delivery e automação com tablets e totens, eles precisam buscar outros fornecedores. A gente oferece tudo num só lugar.”

Miguel disse que a solução da Takeat é um pouco mais cara que a dos fornecedores locais, mas tem um preço semelhante ao da Totvs, Linx e Colibri.