No ano passado, o CEO do Magalu, Fred Trajano, decidiu ter uma bicicleta elétrica – e parou em uma loja da Lev para conhecer os modelos.

Fred comprou uma e, pouco depois, resolveu que as bicicletas deveriam ser vendidas em suas lojas. Executivos do Magalu entraram em contato com os fundadores – os irmãos Rodrigo e Bruno Affonso – para efetivar o plano do chefe.

O contato caiu como uma luva para os planos dos irmãos: a Lev estava abrindo uma planta própria de 3.200 m² na Zona Franca de Manaus, o que permitiria à empresa acelerar sua escala e reduzir seu preço final, abrindo um caminho para levar as bicicletas elétricas às classes C e D.

Frederico Trajano

Se uma Lev facilmente pode ultrapassar os R$ 10 mil em suas lojas próprias, no Magalu é possível encontrar modelos a partir de R$ 4,5 mil. 

“Quando a gente focava em loja própria, a gente olhava um público premium,” Bruno disse ao Brazil Journal. “Para nós, a parceria com a Magalu é um complemento que permite entrar em diversos mercados sem precisar abrir lojas em regiões periféricas.”

No fim do ano passado, as bikes da Lev passaram a ser vendidas em 80 lojas físicas do Magalu e no ecommerce. Agora, já estão em 180 lojas da varejista, e a meta é chegar a 500 até junho.

“Com essa parceria, o objetivo é dobrar a receita em 2026 e triplicar nos próximos anos,” disse Rodrigo. A Lev cresceu seu faturamento em 35% em 2025, chegando a R$ 160 milhões. 

A Lev nasceu em 2010, após Bruno passar um período morando na China e perceber que o boom da venda de bicicletas elétricas por lá poderia acontecer no Brasil. 

Mas o negócio demorou para escalar, especialmente porque a empresa decidiu focar em clientes mais premium

01 21 Bruno Affonso ok

Para isso, os irmãos desenvolveram a marca e o portfólio do zero: desde o desenho dos modelos à escolha das peças – uma obsessão pela diferenciação. 

A Lev preferiu importar as peças da China para montar em suas próprias operações no Rio de Janeiro, algo que deve seguir acontecendo até quando a fábrica de Manaus estiver operando com 100% da sua capacidade. 

Além disso, a estratégia foi abrir lojas próprias em bairros nobres de São Paulo e do Rio, com serviços de pós-venda e assistência técnica para sustentar a confiança em um produto que ainda era uma novidade e fidelizar seus clientes.

Deu resultado: as elétricas da Lev são as mais numerosas circulando pelas ciclovias da Faria Lima e na orla da Zona Sul do Rio.

Com a fábrica em Manaus, a empresa quer sair da diferenciação – e partir para a escala. Segundo a CFO Aneliza Constantini, a planta fez o custo unitário cair 15% e a margem EBITDA subir de 22% para 29%. 

 Com estes números, a entrada no varejo tradicional se tornou possível, segundo os fundadores. 

01 21 Rodrigo Affonso ok

Outra aposta da companhia para conseguir dobrar o faturamento este ano é o crescimento da sua marca de scooters elétricas, a Onn. 

Apesar de lembrar uma moto, a Onn é classificada como um “autopropelido” (a mesma classificação dos patinetes, por exemplo). 

Com a definição do Conselho Nacional de Trânsito de que esse tipo de modelo não necessita de CNH nem de emplacamento, as vendas desse mercado explodiram.

A Lev investiu R$ 4 milhões no lançamento da Onn no ano passado e, segundo Bruno, as margens são melhores que as da bicicleta elétrica.

“É um mercado muito desenvolvido na China, então as peças custam menos e os consumidores têm a percepção de ser algo mais robusto, o que permite cobrar mais caro,” disse.

Em um ano de operação, as vendas do modelo N1 da Onn já representaram 21% do faturamento da Lev. No longo prazo, os fundadores acreditam que a Onn será a grande protagonista das vendas.

Apesar da parceria com a Magalu, a Lev seguirá ampliando o número de lojas próprias. A ideia é aumentar 20% ao ano, continuando com o foco em regiões nobres.

O crescimento da Lev sempre foi com capital próprio e empréstimos bancários – mas os fundadores acreditam que a empresa está entrando em um patamar que abre espaço para a entrada de um fundo de private equity em um futuro próximo. Segundo eles, algumas conversas já estão acontecendo. 

“Com a entrada de investidores também pretendemos fazer operação de dívida no mercado de capitais. Mas não queremos perder o controle da companhia,” disse Rodrigo.