NOVA YORK – Primeiro vem a amizade. O negócio, só depois.

Foi com esse mantra que a Apex Partners saiu de uma pequena operação praticamente familiar de private equity no Espírito Santo para uma casa com R$ 19 bilhões sob gestão e advisory.

Fundada em 2013 por então alunos da Fucape, uma escola de negócios em Vitória, a Apex começou pequeno, fazendo apostas na consolidação de franquias do Giraffas, de escolas para trabalhadores da construção civil e de clínicas de saúde popular. Nada deu certo.

“Executamos a tese com perfeição e a equipe funcionou muito bem, mas ignoramos os fatores de risco do ambiente macroeconômico,” Fernando Cinelli, CEO e fundador da Apex, disse ao Brazil Journal

Fernando Cinelli ok

O erro levou a empresa a mudar de direção e apostar numa lacuna: a falta de acesso ao mercado de capitais nas economias regionais.

A família de Cinelli é dona de uma incorporadora no Espírito Santo, e ele percebia que não havia crédito para novos empreendimentos na região. Praticamente tudo ficava para as empresas do eixo Rio-SP.

A Apex começou a estruturar veículos privados para investir no equity das incorporações. Os investidores? Os próprios empresários capixabas.

O experimento fez a Apex perceber que havia uma demanda reprimida nos estados fora do eixo: os empresários e famílias ricas estavam dispostos a investir para desenvolver suas próprias regiões.

“É uma ótica diferente da Faria Lima. Esses investidores não querem só dinheiro, mas também ver a sua cidade e o seu estado crescendo,” disse Cinelli. “E eles fazem negócio com quem confiam, com quem são próximos.”

De lá para cá a Apex cresceu apostando no que chama de “as onças brasileiras” – um grupo de Estados que combina crescimento econômico acima da média, contas públicas mais organizadas e uma economia real ainda pouco explorada pelo mercado.

A tese inclui Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Essas economias vêm ganhando peso consistentemente. Segundo um estudo da Apex, a participação das “onças” no PIB brasileiro subiu de 34% em 2002 para 39% em 2023.

“Existe um Brasil que o mercado ainda não precificou e que a Faria Lima não entende como funciona,” disse Cinelli.

Para atender a esses clientes, a Apex apostou num modelo que mistura gestora, advisory, investment banking, research e, mais recentemente, um multi-family office.

No ano passado, a Apex comprou a Redoma, uma gestora que entrega aos clientes desde assessoria jurídica e contábil até um planejamento de lifestyle que inclui a organização de casamentos e até ajuda na compra de uma Porsche.

Isso se encaixa na forma da Apex atender seus clientes – que muitas vezes têm a maior parte do patrimônio concentrado no próprio negócio.

Entre os clientes da Apex estão as capixabas Fortlev, a líder em caixas d’água no País, e a cooperativa Cooabriel, além da varejista paranaense Gazin. 

A empresa também vem ampliando sua participação em private equity com investimentos em empresas como Wine, Univale, ATW Brands, Yooga, Mottu e Timenow Engenharia – todas fundadas em estados “onças”. 

Mais recentemente, a Apex também ganhou visibilidade ao se tornar um dos principais acionistas da CVC ao comprar uma fatia de 14% da empresa de turismo.

“É uma empresa que já passou por um turnaround bem sucedido, desalavancou muito nos últimos anos e agora está crescendo receita e melhorando margem. E o preço está muito descontado,” disse o CEO.

Agora, a Apex prepara o próximo passo: comprar uma DTVM ainda este ano e se transformar numa instituição financeira até 2030.

“O futuro da Apex é conseguir montar um modelo de replicabilidade que a gente consiga ocupar todos os polos do Brasil que tenham pelo menos US$ 30 bilhões de densidade de PIB,” disse Cinelli.

Para isso, a Apex está se aproximando cada vez mais da Faria Lima. 

Além da compra da Redoma, a empresa tem investido em eventos dentro e fora do Brasil para conectar empresários das “onças” pouco acostumados com os coletes e mocassins da Faria Lima.

Aqui em Nova York, a empresa reuniu 450 convidados – sendo 120 empresários regionais.

Para Cinelli, a Faria Lima “não é uma concorrente, e sim uma parceira natural de distribuição de capital” para a Apex, que origina oportunidades nestes estados e setores que sofrem com falta de cobertura, informação e acesso ao mercado.