Flávio Augusto sempre trabalhou muito – mas também deu muita sorte.

Em 2013, ele vendeu a Wise Up para a Abril Educação por R$ 877 milhões. Dois anos depois, conseguiu recomprá-la por menos da metade do valor – reinventando a empresa como a Wiser, uma holding de educação focada em empregabilidade.

Pouco antes da pandemia, Flávio estava negociando a compra de outra grande rede de escolas de inglês, com centenas de lojas físicas.

Foi quando a sorte bateu de novo à sua porta.

Flavio estava na fase de diligência e conseguiu desistir da compra a tempo de evitar meses de lockdown. Em seguida, ‘pivotou’ a estratégia de M&As da Wiser, direcionado o capital para a compra de edtechs que operam apenas no digital.

“Estamos buscando negócios que já nasceram para a nova realidade, que não tem o paradigma de mudar do velho para o novo,” o empresário disse ao Brazil Journal, de sua casa em Orlando. “Vamos pegar empresas novas, mas que já deram certo e já estão gerando caixa.”

De lá para cá, a Wiser já fez duas aquisições: comprou a Conquer, uma escola de soft skills focada na nova economia, e a AprovaTotal, uma plataforma de preparação para o vestibular com mais de 40 mil alunos. 

A Wiser – onde Flávio tem como sócios a Kinea e a família de Carlos Wizard – também controla a MeuSucesso.com, a plataforma que usa vídeos de casos de empreendedores de sucesso para ensinar sobre negócios. 

Agora, a empresa está fazendo mais três aquisições, fortalecendo esse ecossistema com uma startup de preparação para concursos militares (a EuMilitar), outra de cursos de vendas (a Vende-C), e uma terceira focada em livros (a BuQme).

A Wiser não abre o valor das aquisições, mas diz que todos os M&As que tem feito são de empresas que já têm EBITDA entre R$ 5 milhões e R$ 20 milhões.

Com as aquisições de hoje, a expectativa é fechar este ano com um faturamento de R$ 500 milhões. 

Das três startups, a maior é a EuMilitar, fundada no início da pandemia por três sargentos com 20 e poucos anos. Os três se conheceram no Exército e criaram a startup depois de perceber a dificuldade de muitos candidatos em aprovar no concurso, que acontece todos os anos. 

A startup já tem 38 mil alunos ativos, que pagam um valor anual de R$ 400 para o curso de sargento e R$ 600 para o de oficial. (A receita do ano passado girou na casa dos R$ 15 milhões.)

Todo ano, o concurso abre cerca de 1.200 vagas. Em 2020, a EuMilitar aprovou 80 candidatos. No ano passado, 400. 

Para Flávio, o investimento na EuMilitar tem também um aspecto pessoal: aos 15 anos, ele passou num concurso para oficial da Marinha depois da terceira tentativa. 

“Foi a primeira vez que eu lutei por algo na vida, que eu tive que me sacrificar e estudar de verdade,” disse ele, que foi expulso da Marinha meses depois por mau comportamento – para desgosto de seu pai, um ex-militar. 

“Essa carreira é pouco conhecida, mas para um jovem da periferia se tornar um oficial do Exército é uma transformação de vida absoluta,” disse Flávio. “Ele vai ter acesso a uma formação superior de qualidade, ganhando para isso e tendo todos os custos bancados. E, quando termina, 100% dos alunos têm um emprego garantido ganhando R$ 5 mil/mês.”

A Wiser também está adquirindo duas startups criadas por Caio Carneiro, um influenciador da área de vendas com 1,5 milhão de seguidores no Instagram. 

A Vende-C – que sacada esse nome – é um programa de vendas profissionais com aulas em vídeo com Caio e o próprio Flávio Augusto. “Criamos um MVP no ano passado e fizemos R$ 5 milhões de EBITDA em três meses,” disse Flavio. “O MVP foi validado e a Wiser incorporou o negócio.”

O próximo passo será levar os cursos para o B2B, oferecendo treinamentos de vendas para as equipes comerciais das empresas.

Já o BuQme tem cerca de 4 mil assinantes. A plataforma pega escritores de livros de negócios e empreendedorismo e os convida para dar um mini-curso em vídeo. Flavio diz que a startup tem sinergia com outro negócio menor da Wiser: a Buzz Editora, uma editora de livros que lançou, por exemplo, o “Ponto de Inflexão”, a autobiografia de Flávio. 

Flavio diz que está preparando a Wiser para um movimento estratégico, “pode ser IPO ou uma venda para estratégico, está tudo na mesa.”

A sorte deve estar à espreita.