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Quando o Pix foi lançado em 2020, a principal dúvida era se os brasileiros adotariam o novo sistema de pagamentos do Banco Central.
Mas isso ficou definitivamente no passado: o que começou como uma alternativa ao TED, DOC e boleto se transformou na principal infraestrutura de movimentação financeira do Brasil.
No segundo semestre de 2025, o Pix respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no País, consolidando-se como o principal meio de pagamento dos brasileiros.
Mas o sucesso trouxe uma consequência inesperada: quanto mais brasileiros utilizam o Pix, mais complexa fica a operação para quem está por trás dele.
Para que bancos, fintechs e instituições financeiras operem o sistema, é necessário manter uma estrutura que funcione 24 horas por dia, sete dias por semana, sem interrupções, processando transações em tempo real e acompanhando uma agenda regulatória cada vez mais intensa.
“O Pix parece simples porque alguém está carregando toda a complexidade por trás dele,” disse Felipe Facchini, CEO da Stark Infra.
Essa complexidade, diz Facchini, envolve gestão de chaves, conciliação, mensageria com o Banco Central, certificações, mecanismos de segurança, monitoramento, resolução de disputas, disponibilidade contínua e uma série de atualizações regulatórias que exigem adaptação constante.
A própria evolução do sistema tem ampliado esse desafio.
Nos últimos anos, o Banco Central lançou funcionalidades como o Pix Automático e atualizou mecanismos de segurança, como o Mecanismo Especial de Devolução (MED), ampliando a capacidade de rastrear e bloquear recursos obtidos por fraude.
Além de toda essa complexidade técnica, existe também a preocupação com a segurança no ambiente e nas transações, e isso vai muito além do que é visível ao usuário final.
Por trás de cada transação, a Stark Infra opera com gestão dinâmica de risco, criptografia de requisição e mecanismos como a cabine STR, que trabalham continuamente para prevenir invasões e identificar tentativas de fraude antes que se concretizem.
Não se trata apenas de reagir a um problema depois que ele acontece, mas de antecipar e neutralizar ameaças em tempo real, mantendo a operação segura mesmo diante do volume crescente de transações.
O problema é que cada mudança exige adaptações técnicas, desenvolvimento de novas funcionalidades e testes para garantir conformidade.
Para muitas instituições, a pergunta deixou de ser apenas como operar e passou a ser quando faz sentido construir e manter toda essa infraestrutura internamente.
“Nem toda empresa que quer operar Pix precisa construir sua própria stack tecnológica e manter equipes dedicadas exclusivamente a isso,” disse Douglas Kriese, líder de produtos da Stark Infra.
A decisão de delegar a infraestrutura de Pix não está restrita a fintechs em estágio inicial ou empresas sem capacidade técnica para desenvolver suas próprias soluções.
Um dos clientes da Stark Infra é uma gigante do ecossistema de mobilidade urbana que construiu produtos financeiros para oferecer a seus usuários.
Com escala, recursos e equipes de sobra para desenvolver essa estrutura internamente, a companhia optou por seguir outro caminho.
A lógica é simples: dedicar times de engenharia, produto e operações a uma camada que não gera diferenciação competitiva significa deixar de investir em áreas mais próximas do cliente final.
A proposta da Stark Infra é justamente assumir essa complexidade – e permitir que seus clientes foquem na aquisição e no atendimento de seus consumidores.
A companhia fornece a infraestrutura utilizada por bancos, fintechs e instituições reguladas para operar Pix, abstraindo boa parte das exigências técnicas do Banco Central por meio de APIs e serviços já preparados para acompanhar as mudanças regulatórias.
Na prática, isso significa que o cliente deixa de se preocupar com processos como gestão de chaves, mensageria, certificações, integração com sistemas do Banco Central, mecanismos de devolução, monitoramento operacional e atualizações obrigatórias.
“O problema que a gente resolve é tirar essa engenharia de pagamento do caminho para que a empresa possa focar no próprio negócio,” disse o CEO.
O mesmo raciocínio aparece em clientes globais da Stark Infra.
A companhia atende marcas com operações internacionais consolidadas, empresas que atuam no Reino Unido, em outros países da Europa e na Ásia, e que buscam, no Brasil, operar Pix com os mesmos padrões de disponibilidade, conformidade e qualidade que já oferecem em seus mercados de origem.
Segundo Facchini, uma instituição que opta por desenvolver toda essa estrutura internamente pode levar entre seis e oito meses apenas para concluir a integração inicial – e ainda passar mais de um ano refinando processos até atingir maturidade operacional.
Ao utilizar uma infraestrutura pronta, é possível reduzir esse prazo para poucos dias.
Os números ajudam a dimensionar a escala que a operação da Stark Infra conseguiu.
Em 2025, a fintech processou mais de R$ 600 bilhões em TPV. Em 2026, esse volume deve superar R$ 1 trilhão, e a empresa também já ultrapassou a marca de 1 bilhão de transações processadas.
Nos últimos 12 meses, a fintech processou mais de R$ 670 bilhões em transações via Pix.
Segundo Facchini, a infraestrutura da companhia é capaz de suportar mais de 1.500 transações por segundo por cliente e opera com nota A no Índice de Qualidade de Serviço (IQS) do Banco Central.
Para o CEO, a tendência é que a importância do Pix continue crescendo à medida que novas funcionalidades sejam adicionadas ao sistema.
“O Pix deixou de ser apenas um produto. Hoje ele é uma infraestrutura essencial para qualquer instituição financeira,” disse.
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