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Os números não deixam margem para dúvidas: a cada ano que passa, o mercado de capitais brasileiro se consolida como uma fonte de financiamento mais robusta e relevante para as empresas no país.
Em 2025, essa trajetória foi marcada por um recorde histórico de emissões corporativas.
O total ofertado alcançou a casa de R$ 838,8 bilhões, segundo a ANBIMA – um crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior e um salto de 54,2% em três anos.
Não foi um sinal isolado.
Com instrumentos de crédito privado como debêntures, CRIs e CRAs à frente dessa expansão, o mercado de capitais alcançou no mesmo ano outro marco inédito: o estoque de crédito destinado às empresas por essa via superou o crédito bancário.
Trata-se de uma ótima notícia, dado que a economia real precisa de um pool diversificado de fontes de financiamento para se desenvolver.
Para muitos investidores, o ganho de relevância do mercado de capitais, de maneira geral, e do crédito privado, em particular, não chega a ser surpreendente.
Segundo Alexandre Coutinho, sócio e head de crédito no Patria Investimentos, o resultado vem de uma combinação de fatores, que envolve evoluções regulatórias, de infraestrutura e de produtos.
“O mercado de crédito privado no Brasil costumava ser um apêndice do crédito bancário no Brasil, com poucos emissores, poucos instrumentos e baixa liquidez,” disse o sócio do Patria, que é uma das casas mais ativas nessa classe de ativos na América Latina.
Para ele, o mercado se tornou uma estratégia relevante para as empresas, que precisam acessar capital nem sempre disponível nos bancos, e para os investidores, que estão em busca de alternativas de diversificação e retornos incrementais em relação aos títulos do governo.
Essa nova era, marcada por um mercado de crédito privado maior e mais sofisticado, abriu oportunidades e deu impulso a gestoras que já acumulavam experiência na área.
Foi nesse ambiente que o Patria, referência em investimentos alternativos na América Latina, acelerou sua expansão.
A gestora lançou produtos, realizou aquisições e ampliou as captações, elevando globalmente os ativos sob gestão de sua vertical de crédito de R$ 23,6 bilhões para R$ 70,4 bilhões em três anos.
Coutinho diz que a atuação do Patria em crédito se apoia em três premissas: uma equipe altamente técnica, formada por mais de 40 especialistas na América Latina; o conhecimento das cadeias de valor, construído pela experiência em estratégias ligadas à economia real, como real estate e infraestrutura; e a capacidade de originar e estruturar operações de forma proprietária.
Com esse modelo e já em um ambiente de crescimento do crédito privado no país, a gestora lançou há três anos o Patria Crédito Estruturado 365, uma de suas estratégias mais emblemáticas.
Segundo o executivo, a abordagem parte de uma premissa que o diferencia de muitos fundos de renda fixa privada: ele aloca recursos em oportunidades estruturadas cuidadosamente dentro de casa, em vez de selecionar ativos já disponíveis no mercado secundário.
Por meio de estruturação proprietária, o fundo direciona recursos a pequenas e médias empresas, principalmente através de estruturas pulverizadas – as chamadas securitizações – com bom histórico e níveis elevados de governança, a partir de uma análise criteriosa de risco.
Assim, o Patria dá financiamento para companhias com menor acesso ao crédito bancário ao mesmo tempo em que gera oportunidades a investidores.
Segundo Coutinho, essa estratégia permite formar uma carteira diversificada, que busca equilibrar a geração de retornos com a mitigação de riscos. De acordo com o relatório mensal referente a agosto, o veículo tinha recursos alocados em 49 operações, sendo 45 de securitização e 4 de dívida corporativa, e o restante em instrumentos de liquidez.
Com a experiência do Patria Crédito 365, a gestora iniciou estratégia semelhante para um fundo previdenciário: o Patria Previdenciário, disponível na plataforma da XP Investimentos e, mais recentemente, no BTG Pactual.
O avanço da plataforma do Patria não se limitou ao lançamento de produtos.
Em janeiro, a gestora adquiriu 51% da Solis Investimentos, casa especializada na estruturação e gestão de FIDCs – um dos produtos que mais cresce no país.
Com mais de R$ 28 bilhões sob gestão, mais de 120 fundos e 30 mil cotistas, a chegada da Solis ampliou a presença do Patria nesse mercado.
Para Coutinho, a aquisição fortaleceu a oferta de ativos de crédito pulverizados aos investidores e ampliou as possibilidades de funding e soluções sob medida para empresas.
Agora, a gestora pretende continuar aprofundando sua atuação.
“Com estruturação proprietária e monitoramento próximo e constante, tem potencial de entregar aos investidores retornos interessantes com risco mitigado, e com baixa volatilidade, mesmo nos mais diferentes momentos do ciclo econômico,” disse Coutinho.
Para o Patria, portanto, a nova era do crédito privado não representa apenas uma oportunidade conjuntural: é um caminho natural para apoiar sua estratégica focada na economia real – e na viabilização de investimentos onde a sociedade vê valor.
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