Um conteúdo
Após duas décadas construindo a maior rede de depilação a laser do mundo, a Espaçolaser está mudando a pergunta que orienta seus investimentos.
Mais do que abrir novas unidades, a companhia quer agora extrair mais receita, caixa e rentabilidade da infraestrutura existente – colocando o retorno sobre o capital investido (ROIC) no centro de sua próxima fase.
A mudança acontece num momento em que a estrutura de capital também ganhou mais fôlego. A oferta secundária que marcou a saída da L Catterton encerrou uma parceria de dez anos e atacou duas questões que pesavam sobre a ação: o overhang da participação do fundo e a baixa liquidez.
Com a venda integral da fatia, o free float chegou a cerca de 70% e o volume médio diário negociado mais do que dobrou em doze meses.
Ao mesmo tempo, a geração de caixa avançou. No segundo tri de 2026, a conversão de EBITDA em caixa foi de 122,8%, contribuindo para uma geração de R$ 60,7 milhões de caixa operacional e para uma redução de R$ 21,1 milhões na dívida líquida.
A alavancagem encerrou o período em 1,88x, enquanto a Moody’s reafirmou o rating A.br.
Com mais capacidade para investir, a discussão sobre alocação de capital passa a ser menos sobre ter recursos disponíveis – e mais sobre onde eles conseguem gerar os melhores retornos.
Um dos principais exemplos dessa lógica está dentro das próprias lojas.
Em vez de abrir uma nova unidade para aumentar a capacidade, a Espaçolaser passou a instalar uma segunda sala de laser em lojas maduras e com alta ocupação.
Ao fim do segundo trimestre, 14 unidades já operavam nesse modelo. A receita dessas lojas cresceu cerca de 34%, com uma TIR estimada em aproximadamente 35% ao ano.
A lógica é aproveitar estrutura física, localização, marca e base de clientes já existentes para capturar uma demanda adicional – inclusive de consumidores que precisam de tratamentos com Nd:YAG – com um investimento inferior ao de uma nova loja.
As reformas seguem o mesmo raciocínio.
Mais do que atualizar a identidade visual das unidades, as reformas passaram a ser usadas para revitalizar a marca, renovar a experiência do cliente e recuperar o potencial de vendas de ativos maduros.
Segundo a CEO Magali Leite, nas lojas reformadas há mais de um ano, a companhia já observa crescimento relevante de receita.
Tecnologia a favor da eficiência
A combinação dos lasers Alexandrite e Nd:YAG permitiu a Espaçolaser atender clientes de fototipos mais altos – ou seja, pessoas com tons de pele mais escuros e maior concentração de melanina – ampliando o público potencial de cada unidade.
Segundo Magali, a implementação está ganhando escala de forma seletiva, principalmente em regiões onde esse mercado é mais relevante, criando uma nova avenida para ganho de market share em um público ainda pouco explorado.
Outra iniciativa foi a adoção da nova tecnologia de resfriamento epidérmico. Ao fim do segundo tri, os novos equipamentos estavam presentes em 516 unidades – cerca de 92% da rede própria – e o rollout deve ser concluído até o fim do terceiro trimestre de 2026.
Magali diz que, além de melhorar a experiência do cliente, a mudança reduziu custos em aproximadamente R$ 5 milhões no segundo trimestre e R$ 14 milhões nos últimos doze meses. O payback estimado ficou em 8,9 meses.
A agenda de eficiência também chegou à forma como a Espaçolaser recebe pelas vendas.
O projeto Cliente Decide o Pagamento – o CDP – passou a permitir que o consumidor escolha entre diferentes modalidades e condições de pagamento, ao mesmo tempo em que a Espaçolaser privilegia alternativas de maior liquidez.
Na prática, diz a CEO, cartão e PIX estão ganhando participação e o modelo recorrente perde espaço, otimizando a qualidade dos recebíveis e encurtando o ciclo financeiro.
Resultado: nas regionais onde a implantação começou primeiro, os cancelamentos caíram mais de 50%, ao mesmo tempo em que houve redução relevante da participação do modelo recorrente e do prazo médio de parcelamento. O rollout foi concluído no início do terceiro trimestre.
A parceria com o Nubank, por meio do NuPay, vai na mesma direção. Segundo Magali, a parceria ampliou as opções de pagamento para o cliente, enquanto transfere ao parceiro financeiro o risco de crédito da transação e parte de sua gestão – sem adicionar mais complexidade à operação da Espaçolaser.
Há ainda uma frente menos visível para o consumidor: a inteligência artificial.
Ao longo de 2026, a Espaçolaser passou a ampliar o uso de AI no planejamento comercial, gestão do contencioso, recrutamento e seleção, modelos financeiros, elaboração de reports e outros processos de apoio à operação.
A CEO diz que, para uma rede com centenas de unidades, o ganho está principalmente na escala: soluções criadas para problemas específicos podem ser disseminadas pela organização sem que os custos cresçam na mesma proporção, liberando as equipes para atividades de maior valor agregado.
Conectando estratégia e operação
A Espaçolaser também inaugurou no segundo trimestre um novo hub corporativo, que reuniu pela primeira vez o escritório, a Universidade do Laser – sua estrutura de treinamento e capacitação dos colaboradores das lojas próprias e das franquias – e uma unidade da rede no mesmo espaço.
A Universidade do Laser é responsável por fortalecer a cultura e padronizar protocolos entre colaboradores e franqueados. Já a loja instalada no hub funciona também como ambiente de testes para novos serviços, processos, equipamentos e experiências.
Segundo Magali, o espaço inclui ainda uma estrutura de pesquisa e desenvolvimento, permitindo que novas tecnologias sejam avaliadas em condições reais antes de uma eventual implementação em toda a rede.
A ideia da empresa é encurtar o caminho entre quem cria uma solução e quem a executa na ponta – acelerando o ciclo de teste, aprendizado e implementação.
Para Magali, a Espaçolaser continua buscando crescimento, mas quer que a próxima etapa dependa menos de simplesmente adicionar novas lojas e mais de aumentar a geração de caixa e a rentabilidade.
“É essa combinação entre crescimento, disciplina financeira e retorno sobre o capital investido que está colocando o ROIC no centro da nova fase da companhia,” conclui a CEO.






