O banco Inter reportou um lucro líquido recorde de R$ 374 milhões no quarto trimestre, atingindo um ROE de 15,1%, o maior de sua história e um crescimento de 80 basis points na comparação com o terceiro tri.

A ação subiu 4,5% na abertura.

O resultado veio um pouco abaixo das projeções do sellside; o consenso Bloomberg era de um ROE de 15,7% e um lucro de R$ 395 milhões. No buyside, as projeções estavam mais conservadoras, ao redor dos 15%. 

No consolidado de 2025, o Inter entregou um lucro de R$ 1,3 bilhão, um crescimento de 45% na comparação anual.

santiago stel

O CFO Santiago Stel disse ao Brazil Journal que o destaque do ano foi o crescimento da carteira de crédito, que expandiu 36% em comparação ao fechamento de 2024, atingindo R$ 48,3 bilhões. “Em 2024, a carteira havia crescido 20%, então quase dobramos o ritmo do crescimento,” disse o CFO. “O nosso crescimento também foi três vezes maior que o do mercado brasileiro.”

No sequencial, a carteira de crédito cresceu 10%, também acelerando em relação ao crescimento do terceiro tri (de 9%).

Os destaques de crescimento foram as carteiras de financiamento imobiliário, que cresceu 12%; home equity (12%); cartão de crédito (9%) e crédito pessoal, que engloba o consignado privado e cresceu 11%. 

A carteira de consignado privado, uma das grandes apostas do banco e um produto recente, saiu de R$ 1,3 bilhão no terceiro tri para quase R$ 2 bilhões no quarto. 

“Este é um produto que está indo muito bem. Estamos crescendo num ritmo de R$ 600 milhões por trimestre e é um produto com um ROE muito alto. Ele tem a venda 100% digital, o que é bom para a distribuição, e ajuda a aumentar o ratio de crédito sobre cliente ativo,” disse o CFO.

No trimestre, o índice de eficiência do Inter piorou, depois de ter apresentado uma melhora relevante no terceiro tri. O indicador, que mede a relação entre as despesas e receitas, foi de 45,2% no terceiro tri para 45,5% no quarto tri. No segundo tri, o indicador estava em 47,1%.

Santiago disse que a piora teve a ver com uma questão sazonal, já que no quarto trimestre as despesas aumentam por conta de gastos extras com dissídios, PLR e bônus de funcionários. 

Já a inadimplência do Inter se manteve praticamente estável. O NPL de 15 a 90 dias caiu de 4,1% para 4%, enquanto o NPL 90 dias subiu de 4,5% para 4,7%. 

Segundo o CFO, a piora no NPL 90 dias teve a ver com o crescimento do consignado privado, que é um produto que tem uma inadimplência de mais de 10%. “Nesse tri, tivemos algumas safras do consignado privado que começaram a ter mais de 90 dias e que impactaram nessa inadimplência, mas a grande piora já aconteceu,” disse ele.  

O CFO disse que a dinâmica de 2026 “começou muito boa,” e em linha com o quarto tri. 

“Para este ano, vemos uma possibilidade muito grande de aumentar a penetração do crédito nos nossos clientes, porque temos produtos diferenciados em relação à concorrência e que muitas vezes são alternativas mais baratas,” disse ele. 

O Inter fechou o ano passado com um ratio de R$ 1,9 mil em crédito por cada cliente ativo, um crescimento de 12% em relação ao fim de 2024. 

O número, no entanto, é de 4x a 5x menor que o dos bancos incumbentes, que chegam a ter uma penetração de R$ 10 mil em crédito por cliente ativo. 

“Vários fatores explicam essa diferença. Eles têm um perfil de cliente mais rico e têm um histórico maior com esses clientes, mas achamos que podemos incrementar muito esse número nos próximos anos.”

O Inter fechou o trimestre com 43 milhões de clientes, dos quais 25 milhões são ativos. O crescimento dos clientes ativos foi de 1,1 milhão, na comparação sequencial, em linha com o histórico recente do banco.

O Inter vale US$ 4,1 bilhões na Nasdaq, com sua ação subindo quase 70% nos últimos doze meses.