A Thopen, empresa de geração distribuída de energia renovável controlada pela Pontal Energy, do private equity Denham Capital, obteve uma tutela de urgência para proteção contra credores enquanto prepara a entrada de seu pedido de recuperação judicial, fontes disseram ao Brazil Journal.
A companhia, um dos maiores grupos de GD no País, e que tem Alexandre Grendene como acionista minoritário, disse à Justiça que atravessa “um quadro agudo de escassez de liquidez.”
A empresa disse que a situação decorre “tanto de fatores de mercado que atingiram o seu setor de atuação, como principalmente de decisões estratégicas tomadas por administrações anteriores,” segundo documentos judiciais.
A crise financeira vem após uma série de aquisições que vinha chamando a atenção no mercado: a Thopen comprou ativos de biogás e usinas solares de GD da Matrix Energy, da Copel, da Raízen e da Vip Air ao longo dos últimos doze meses.
A empresa agora alega que sofreu com a falta de liquidez devido a projetos que ainda não entraram em operação ou ainda não geram receita suficiente para atender às expectativas. Ela também cita a dívida indexada ao CDI, “posteriormente onerada pela escalada da Selic”, e fala em “atrasos das distribuidoras de energia em promover a conexão de usinas prontas para geração à rede de distribuição.”
As dificuldades da Thopen são um exemplo de problemas enfrentados por várias empresas de geração distribuída, causados por um mix dos juros altos com a desaceleração recente do setor e a intensa competição por mercado – que levou a descontos agressivos nas ofertas para venda da energia gerada, além de alta vacância de mini-usinas por falta de clientes.
Esse cenário, inclusive, tem aberto espaço para a consolidação do segmento por players mais capitalizados.
Entre os candidatos a consolidadores estão grupos de distribuidoras de energia que atuam no setor, como a Cemig SIM, que tem comprado diversas mini-usinas; além de players ligados ao mercado financeiro, como a gestora Suno Asset e a Brasol, da BlackRock e da Siemens, que estão captando dinheiro com fundos imobiliários para financiar M&As em GD.
No caso da Thopen, a companhia disse à Justiça que sua crise “é reversível, desde que seja possível conduzir uma renegociação ordenada e eficiente das dívidas financeiras com os principais credores.”
A lista de credores não estava pública, mas a Thopen levantou recursos com diversas emissões de debêntures – uma última operação de R$ 90 milhões recebeu rating ‘BBB(bra)’ da Fitch no mês passado.
Em seu site, a Thopen diz ter 700 MWp em capacidade instalada, com uma carteira de clientes que inclui nomes como RD Saúde, Smart Fit, Correios e outros.
A tutela de urgência é válida por 60 dias, e deixará de vigorar caso o pedido de recuperação judicial não seja protocolado em 30 dias.











