O Brasil continua sendo — para surpresa de poucos — um dos países mais caros do mundo para se comprar roupas, e um mercado de difícil penetração para as empresas estrangeiras.

É o que mostra a nova edição do Zara Index, um levantamento anual do BTG que compara quanto custa comprar uma cesta de 12 produtos da varejista espanhola em 54 países, tendo como referências o dólar e os preços praticados pela subsidiária da Inditex nos Estados Unidos.

No início deste ano, o consumidor brasileiro pagava 3% a mais que o americano pelo mesmo carrinho de produtos da Zara.

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Mas quando ajustada pela paridade de poder de compra (PPP), a diferença chega a ser pornográfica: o brasileiro paga 123% mais caro.

Com isso, o País aparece como o 13º mercado mais caro do Zara Index de 2026, atrás apenas de outros países em desenvolvimento como a Tailândia, Índia e Marrocos.

No início de 2025, antes do real se valorizar 15% contra o dólar, os produtos da varejista eram 7% mais baratos no Brasil do que nos EUA em termos absolutos, mas ainda assim mais caros (135%, neste caso) após ajuste pela PPP.

Além disso, a varejista de Amancio Ortega aumentou seus preços no País em 6% no último ano.

“Há vários motivos que explicam [os preços elevados no Brasil], como a volatilidade cambial, a complexidade logística, o sistema tributário (apesar das melhorias nos últimos anos) e a presença de marcas locais já consolidadas,” escreveu o time liderado por Luiz Guanais.

O BTG entende, no entanto, que o varejo de moda foi um dos setores mais disruptados no Brasil nos últimos anos, seja pelo surgimento de novos players estrangeiros, pelo crescimento do e-commerce ou a busca do consumidor por produtos mais baratos.

Nessa linha, o banco também realizou uma pesquisa comparando os preços praticados pela Shein no Brasil e em outros 14 países — e o resultado não foi muito diferente do da Zara.

Apesar de ser competitiva internamente, praticando preços 6% mais baratos que a Riachuelo, 10% mais baratos que a Renner e 13% mais baratos que a C&A, a varejista chinesa também possui preços relativamente elevados no País.

Uma cesta de 8 produtos da Shein é 100% mais cara no Brasil do que nos EUA após ajuste pela PPP, ou 7% mais barata em termos absolutos.

Isso faz do País o segundo mercado mais caro entre os analisados, atrás apenas do México.

Olhando para frente, Guanais destaca cinco tendências com capacidade de direcionar o setor: a normalização do mercado de alta renda após dois anos de demanda pressionada; a concorrência acirrada das plataformas de e-commerce; o foco em fragmentação de pedidos a fornecedores e coleções mais assertivas; as temperaturas mais voláteis e o seu impacto nas temporadas de vendas; e o uso de tecnologia/modelos de AI para otimizar as operações.

As top picks do BTG no varejo de moda são Vivara e Track&Field, mas os analistas acreditam que a queda recente do setor já incorpora tendências de curto prazo mais pessimistas para o consumo no Brasil e abre oportunidades mais amplas de compra.

O banco tem preço-alvo de R$ 36 para a ação da Vivara, um upside de 28% em relação ao fechamento de ontem. O papel sobe 6,5% na Bolsa hoje.

Já a Track&Field tem preço-alvo de R$ 19, um upside de 23% em relação ao fechamento de ontem. O papel sobe 4% hoje.