A Índia e a União Europeia chegaram a um acordo comercial após duas décadas de negociação, no que Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, definiu como “the mother of all deals.”
“Criamos uma zona de livre comércio para dois bilhões de pessoas, com benefícios para ambos os lados,” disse Ursula.
Depois de anos de desentendimentos entre indianos e europeus, as negociações se intensificaram nos últimos seis meses e foram finalizadas na noite de ontem, culminando em um acordo que mobiliza cerca de 25% do PIB global e um terço do comércio planetário.
As pressões comerciais do Governo Trump estão sendo vistas como o principal gatilho para a reaproximação de Bruxelas e Nova Delhi, mas as partes também buscavam diversificar seus parceiros comerciais para além da China e da Rússia.

Com o acordo, o mercado indiano — até então fechado — se abre para carros, chocolates e vinhos europeus, e em troca a Índia enviará ao Velho Continente material humano, produtos têxteis e pedras preciosas.
A expectativa é que o pacto duplique as exportações da UE para a Índia nos próximos seis anos, disse a Comissão Europeia, baixando as tarifas para 97% dos produtos exportados pelo Bloco e gerando uma economia de € 4 bilhões às empresas europeias.
A indústria automotiva, por exemplo, que sofria com tarifas de 110% na Índia, terá um regime de 10% nos próximos cinco anos (no limite de 250 mil veículos). Já os vinhos premium terão suas tarifas gradualmente reduzidas de 150% para até 20%.
Enquanto isso, a UE eliminará ou reduzirá as sobretaxas sobre 99,5% dos produtos importados da Índia ao longo de sete anos; fará concessões em 144 setores de serviços; e facilitará a entrada de estudantes e trabalhadores indianos no Bloco, anunciou o Governo Modi.
“Este é um marco em nossas relações, que irá fortalecer nossos laços econômicos, criar empregos para nossos jovens e oportunidades para nossas empresas, promover prosperidade compartilhada, e construir cadeias de suprimentos globais mais robustas,” disse o primeiro-ministro da Índia.
A parceria também se estenderá ao setor de defesa, prevendo cooperação industrial e em segurança marítima.
Nas últimas semanas, a Índia já havia anunciado parcerias com a Nova Zelândia e Omã; e o Mercosul pode ser o próximo.
A UE, por sua vez, anunciou o esperado pacto com o bloco sul-americano.
O acordo agora terá que ser ratificado pelo Parlamento Europeu.
Resta saber se os eurodeputados vão enxergar problemas jurídicos no acordo, assim como fizeram em relação ao deal com o Mercosul.
Quando as conversas entre Bruxelas e Nova Delhi esfriaram, produtos agrícolas e laticínios também estavam no centro da disputa — e os laticínios acabaram ficando fora do escopo do tratado.
Se UE e Índia assinarem o acordo ainda este ano, como previsto, as mudanças podem entrar em vigor já no início do ano que vem.











