Apesar da volatilidade dos últimos dias, há fundamentos por trás da valorização dos ativos reais – e o ouro tem particularidades que devem prolongar a alta, Luis Stuhlberger disse ao Brazil Journal.
Para o gestor, um investidor histórico do metal, bancos centrais e grandes investidores que vêm comprando ouro há anos em busca de proteção, por enquanto “não vendem de jeito nenhum.”
“A questão é qual o preço que vai fazer os BCs venderem. Acho que isso está longe de acontecer.”

Para ele, a demanda por ouro e outros ativos reais é explicada pela mudança no cenário global de investimentos a partir de 2022. Com o início da guerra na Ucrânia, o confisco de ativos russos – “por boas razões” – levou diversos países a buscar alternativas à renda fixa.
O movimento foi amplificado pela preocupação com os déficits fiscais dos países desenvolvidos, e mais recentemente por “essa fase do Trump, que não vai durar para sempre, de brigar com antigos aliados, o que faz com que todo mundo se sinta ameaçado,” disse Stuhlberger.
“Os bancos centrais começaram a comprar ouro – e os que não compraram ainda vão comprar,” disse o gestor. “Queremos estar na mesma ponta.”
O gestor vê isso como tendência – com ups and downs. Um dia de forte volatilidade foi a última sexta-feira de janeiro. A indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed reduziu o risco de cortes de juros descolados de fundamentos – e fez os preços de ouro e prata despencarem.
O ouro caiu 20% em dois dias e a prata, 40%. Depois disso houve alguma recuperação, mas os preços não voltaram aos níveis recordes de 29 de janeiro.
Ainda assim, a valorização de médio prazo continua expressiva. Em cinco anos, o ouro subiu 170%. Nos últimos 12 meses, a alta foi de 71%. O preço da prata aumentou mais que isso: 210% em cinco anos e 150% em 12 meses.
O ouro é uma das principais posições do fundo Verde, que não tem prata nem outros metais.
Na última carta, a gestora disse que o contexto de incerteza geopolítica “deve continuar a beneficiar o ouro, embora o movimento exponencial na prata, platina e paládio nos preocupe como sinal de mudança de padrão de risco e euforia especulativa”.
Para Stuhlberger, “os ativos que os BCs não compram são outra história: podemos ver a formação de bolhas que estouram mais rápido”.
“Os bancos centrais até podem começar a comprar prata, mas, até onde eu sei, isso ainda não aconteceu,” afirmou.
Sua visão para o ouro, disse Stuhlberger, não é uma aposta para 2026: ele disse não saber se o ouro será um bom investimento este ano, mas quem compra o metal está em busca de segurança, não de altos retornos.






