A ação da XP Inc chegou a despencar 18% depois que os resultados da empresa no primeiro trimestre decepcionaram os analistas – agora no início da tarde o papel está reduzindo as perdas para uma queda de 10%. 

O lucro líquido ajustado da XP ficou em R$ 987 milhões – com alta de 17% em relação ao primeiro trimestre de 2021, mas queda de 7% em relação ao quarto trimestre. 

Esse número ficou dentro do esperado, mas foi ajudado por uma carga tributária menor e um resultado muito forte da tesouraria, que não é recorrente. 

Já a receita líquida da empresa caiu 4% em relação ao quarto trimestre e ficou em R$ 3,2 bilhões. A receita com o varejo ficou em R$ 2,4 bilhões, abaixo dos R$ 2,7 bi do 4T21.

O take rate – que reflete a comissão média da empresa na prestação de serviços ao varejo como percentual dos ativos sob custódia –  caiu de 1,36% no quarto trimestre de 2021 para 1,15% no primeiro trimestre de 2022.  

Os analistas Marcelo Telles, Bruna Amorim e Daniel Vaz, do Credit Suisse, disseram que o resultado é negativo para as ações, por conta da “significativa perda de receitas”. 

“A contenção de custos ajudou a evitar uma perda maior no EBITDA, mas questionamos até que ponto isso pode comprometer o crescimento futuro”, disseram os analistas do Credit Suisse. “Apesar de a gestão ter destacado no call que março foi um mês substancialmente melhor, acreditamos que o cenário continua desafiador.” 

Segundo a XP, a variante omicron e o enfraquecimento da atividade de mercado de capitais prejudicaram a performance em janeiro e fevereiro, mas em março as receitas cresceram 45% em relação à média desses dois primeiros meses, o que pode indicar uma recuperação do take rate para o resto do ano. 

No Citi, os analistas Gabriel Gusan, Karina Martins e Roberta Versiani escreveram que apesar de a administração ter destacado a melhora da performance em março, a competição, a alta dos juros e o enfraquecimento do mercado aumentam as preocupações em relação ao take rate da XP este ano. Para os analistas, as despesas crescentes por conta do investimento em novas verticais podem continuar a pressionar as margens em um ambiente de expansão moderada de receita.  

Independentemente do resultado do trimestre, a ação da XP tem sofrido uma pressão vendedora há mais de seis meses, depois que a Itaúsa começou a se desfazer de uma participação de 20% na corretora. 

Na conversa com os investidores para comentar o resultado, a administração da XP disse que pode estar interessada em recomprar a participação do Itaú, embora até o momento não tenha costurado um acordo com o banco. 

Na sexta-feira passada, o Itaú disse que comprou 11,36% das ações da XP cumprindo com uma obrigação contratual definida em 2017,quando o banco investiu na corretora, e que determinava que a XP deveria ser avaliada a 19x o lucro. 

Vendo a queda do papel, um analista comentou, meio a sério, meio brincando: “Quem diria que o Itaú pagaria caro para comprar mais ações da XP…”