A TIM Brasil recomprou 51% das ações da I-Systems por R$ 950 milhões – cinco anos depois de ter vendido essa mesma operação para a IHS, a empresa de torres de celulares listada na bolsa de Nova York.
A I-Systems, que atua no setor de rede neutra no País, está presente em oito estados e tem 9 milhões de homes passed.
A empresa surgiu em 2021, quando a TIM decidiu separar a sua operação de rede banda larga e vendeu 51% do negócio para a IHS para operar num modelo asset light, uma estratégia que estava se tornando comum entre as operadoras.
O problema: o modelo não foi o que o setor como um todo esperava. No caso da I-Systems, a empresa passou a acumular prejuízos.
“Não deu certo porque os ISPs preferiram usar a própria rede do que a neutra. Foi uma grande aposta que deu errado,” um executivo do setor disse ao Brazil Journal. 
O CEO da TIM Brasil, Alberto Griselli, disse que a tese original da rede neutra era diluir capex, mas o modelo enfrentou desafios com crescimento abaixo do esperado e uma competição maior no mercado de banda larga.
“O take-up dessas redes não aconteceu e os benefícios industriais que vislumbramos não se materializaram,” disse o CEO.
Agora, segundo Griselli, a lógica é diferente. Para ele, a recompra do ativo vai trazer vários benefícios para a TIM, como o controle total das operações de banda larga e um aumento da eficiência operacional.
Griselli diz que a TIM também precisará fazer uma quantidade maior de capex, mas que será compensada pela diminuição dos custos de opex. “O impacto vai ser neutro,” disse.
A recompra da TIM é um movimento similar ao que a Vivo fez em julho do ano passado, quando comprou 50% da FiBrasil por R$ 850 milhões. Agora, a única empresa de rede neutra que permanece independente é a V.tal, controlada pelo BTG.
Além de anunciar o M&A, a TIM também publicou um quarto trimestre que esmagou as expectativas do mercado, levando a ação a disparar 10% no pregão de hoje.
A receita líquida teve alta de 4% na comparação anual, chegando a R$ 6,9 bilhões. O principal motor seguiu sendo o pós-pago, com avanço próximo de 9,5%.
A banda larga fixa também surpreendeu. O Itaú BBA e a XP, por exemplo, viram o crescimento de 9,4% nessa vertical como bem acima das expectativas.
Mas o maior destaque ficou para a rentabilidade e a geração de caixa. O EBITDA cresceu 9,7% na comparação anual e chegou a R$ 3,7 bilhões no tri. A margem EBITDA, por sua vez, subiu para 53,1% – uma alta de 260 basis points.
A TIM sobe 67% nos últimos doze meses. A empresa vale R$ 67,7 bilhões na B3.











