O Inter acaba de ganhar uma licença bancária nos Estados Unidos que vai permitir ao banco da família Menin capturar uma fatia maior do economics de sua operação americana, além de liberar o uso dos depósitos de clientes para dar crédito. 

O banco, que entrou nos Estados Unidos em 2021 com a compra da USEND, operava até agora com uma licença de money services business (MSB), que demanda o uso de um banking as a service para fazer os processos bancários.

10402 acefeb12 4eb4 0000 00eb 688f144cbb4c

Agora, depois de 15 meses do pedido ao Fed, o Inter conseguiu a licença de foreign banking organization (FBO), que traz uma série de benefícios para a instituição. 

“O primeiro ganho imediato é que vamos ter o nosso próprio routing number, em vez de ter que usar o do nosso parceiro BaaS. Além disso, estaremos ligados diretamente pelo Inter nas trilhas dos bancos americanos,” Cassio Segura, o country manager do Inter nos Estados Unidos, disse ao Brazil Journal.

Mais importante que isso, a nova licença (que não demanda a criação de uma pessoa jurídica nova, permitindo que a operação americana funcione como uma filial da brasileira) vai permitir que o Inter possa usar livremente o depósitos de seus clientes nos EUA.

Hoje esses depósitos ficam na conta do BaaS e só podiam ser investidos em títulos high-grade. “Agora vamos poder usar esse funding para dar crédito, aumentando muito o ganho potencial,” disse o executivo.

A licença também permite ao Inter ser emissor de cartões de débito e de crédito nos Estados Unidos, e emitir títulos de dívida semelhantes aos CDBs brasileiros, o que deve garantir um funding bem mais barato ao banco. 

A expectativa do Inter é conseguir captar nos EUA com esses títulos ao custo do Treasury, que gira hoje em torno de 4% ao ano. 

Cassio disse que a licença FBO é baseada no capital da matriz brasileira, então não será necessário aportar capital nenhum na operação americana. 

Apesar dos benefícios que a nova licença trará, o impacto imediato para o banco será marginal, já que a operação americana ainda é uma fração do todo, “mas conforme a operação for crescendo, e com a nossa entrada na Argentina nos próximos meses, no futuro isso deve se tornar bem mais relevante dentro do grupo,” disse Cassio. 

O Inter hoje tem 5 milhões de clientes de sua “conta global”, dos quais apenas 300 mil são americanos e o restante são clientes de fora que querem ter uma conta internacional, a vasta maioria brasileiros. 

No Brasil, o Inter tem mais de 40 milhões de clientes. 

Ray Chalub, o COO do Inter nos EUA, disse que o público-alvo da instituição é dividido em quatro perfis: o viajante, que quer ter uma conta em moeda estrangeira para usar fora do Brasil; o investidor, que quer ter parte de seus investimentos em moeda forte; o global worker, que trabalha para multinacionais e recebe em dólar; e as empresas exportadoras e importadoras, que precisam ter uma conta fora do Brasil. 

O Inter tem cerca de US$ 300 milhões em depósitos nos EUA, que poderão ser alocados em diferentes áreas de crédito com a nova licença. 

Segundo Chalub, a ideia é alocar principalmente em crédito imobiliário, mas também em cartão de crédito e trading finance. Hoje a maior carteira do Inter nos EUA é a de crédito imobiliário, que soma R$ 1,4 bilhão. 

O avanço do Inter nos Estados Unidos vem num momento de forte competição no mercado de investimentos globais. Diversas instituições estão tentando abocanhar parte dos recursos que os brasileiros gastam ou investem lá fora — incluindo a Avenue (controlada pelo Itaú), a Nomad, o Banco do Brasil e o Bradesco.

O Nubank também já oferece uma conta global (em parceria com a Wise), mas quer dar um passo ainda maior. Em setembro, o banco de David Vélez entrou com o pedido para uma licença de banco nacional nos EUA – ainda mais ampla que a do Inter. 

O Inter vale US$ 3,54 bilhões na Nasdaq, com sua ação subindo 73% nos últimos 12 meses.